Sábado, 17 de outubro de 2026

Postado às 13h30 | 17 out 2026 | redação Meio ambiente e mulheres protagonistas no Rio Grande do Norte

Crédito da foto: Isabelle Pinheiro Oficina sobre formatação de produtos e roteiros turísticos, em parceria com a INOVATUR

Por João Victtor Oliveira / Especial – UFRN

As comunidades rurais dos municípios Lagoa Nova e Bodó, na Serra de Santana, no Rio Grande do Norte (RN), têm um estilo de vida adaptado ao ambiente semiárido. Os locais apresentam um bioma que precisa de atenção por causa da fragilidade ecológica e do impacto do avanço de atividades econômicas. Além disso, a região abriga espécies endêmicas, que ocorrem exclusivamente em uma área, em vias de serem extintas, o que põe em risco a permanência das próprias comunidades rurais.

Pensando nas características únicas da Serra de Santana, uma equipe da Faculdade de Engenharia, Letras e Ciências Sociais do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Felcs/UFRN) desenvolve o projeto Turismo, Educação e Integração Ambiental (Teia).

O Teia atua como apoio econômico, preservação ambiental e capacitação técnica para a formação de produtos e roteiros turísticos em comunidades tradicionais e rurais da Serra de Santana. A ação tem como objetivo atuar na conservação dos patrimônios natural e cultural e fomentar a economia solidária.

O projeto nasceu em 2025, a partir de um trabalho da professora do curso de Turismo da Felcs/UFRN, Isabelle de Fátima Silva Pinheiro, com mulheres em comunidades rurais na Serra de Santana. A ação buscou compreender os impactos da instalação dos complexos eólicos na região. O contato revelou desafios enfrentados pelas comunidades locais e o potencial que o turismo poderia oferecer como alternativa de renda e fortalecimento territorial.

“Eu acredito que o Teia pode ajudar a consolidar a Serra de Santana como referência em turismo comunitário e sustentável, ao mesmo tempo em que promove inclusão social, preservação ambiental e geração de renda responsável”, acrescenta a professora Isabelle Pinheiro.

A docente destaca três dimensões do projeto. A primeira é o fortalecimento comunitário, promovendo protagonismo feminino e inserindo as comunidades tradicionais na cadeia produtiva do turismo. A segunda é a valorização do patrimônio natural e cultural, organização turística que integra a biodiversidade e riqueza paisagística da Serra de Santana, além dos bens culturais das comunidades rurais. A terceira é a diversificação econômica e sustentabilidade. Nela, o turismo surge como alternativa à agricultura familiar, reduzindo a dependência de atividades vulneráveis às condições climáticas e de mercado.

 

Turismo e preservação dos recursos naturais e culturais

O meio ambiente é uma preocupação central do Teia. O projeto defende que o turismo só pode ser sustentável se estiver aliado à preservação dos recursos naturais e culturais das comunidades. As ações e propostas de intervenção têm como foco o protagonismo feminino na organização do turismo de base comunitária como alternativa sustentável. Entre as iniciativas, destacam-se oficinas de capacitação e sensibilização, inventário e hierarquização turística participativa.

Há ainda a Carta de Manejo Comunitário – documento que está em fase de finalização e que foi desenvolvido coletivamente com mulheres das comunidades. A Carta orienta o uso responsável dos patrimônios naturais e culturais frente ao turismo e busca mitigar impactos ambientais já sentidos, como os provocados pelos complexos eólicos da região.

O Teia também promove a integração de pesquisas acadêmicas em prol do meio ambiente, com projetos de estudo sobre os impactos dos complexos eólicos e outras atividades econômicas na região, garantindo que o turismo seja planejado com base em dados científicos e em diálogo com a comunidade.

Equipe

A ação é formada por docentes e discentes da Felcs/UFRN, especialmente do curso de Turismo, mas também das áreas de Administração e Engenharia de Produção. Os alunos atuam como bolsistas e voluntários, vivenciado na prática a curricularização da extensão e aplicando conteúdos de disciplinas como Educação Ambiental, Criatividade em Eventos e Animação Turística, esta última é ministrada pela professora Itamara Fonseca, também integrante da iniciativa.

A discente do 8º período do curso de Turismo da Felcs, Flávia Jaclyle, fala sobre sua participação. “O projeto Teia contribuiu para minha formação acadêmica. Por meio das capacitações e oficinas ofertadas nas ações que realizamos junto às mulheres, eu pude visualizar, de forma prática, como o turismo pode mudar a vida de um determinado grupo e comunidade”, comenta. Além de atuar na coordenação geral, os professores ministram oficinas, cursos e workshops, apresentando uma abordagem interdisciplinar que conecta turismo, educação, arte e sustentabilidade.

A idealizadora do projeto, professora Isabelle Pinheiro, destaca o valor da Teia para UFRN. “Acredito que tenha uma importância estratégica tanto para a UFRN quanto para os estudantes envolvidos, porque fortalece a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, consequentemente, ampliando o papel da Universidade como agente de transformação social”, afirma. A docente também acrescenta sobre as práticas transformadoras que o Teia proporcionou, ao presenciar as mulheres do campo se reconhecendo como protagonistas de sua própria história.

 

Teia conta com colaboradores das comunidades rurais

O Teia conta com colaborações de diversos setores. Pesquisadores e especialistas são convidados para ministrar cursos e oficinas, ampliando a troca de saberes entre academia e comunidade. Entre as participações, destaca-se a INOVATUR – Empresa Júnior do curso de Turismo, da Felcs, que ofereceu apoio técnico na Oficina sobre Formatação de Produtos e Roteiros Turísticos durante a primeira edição do projeto, no ano de 2025. Há ainda a parceria da gestão pública, da Secretaria de Meio Ambiente de Lagoa Nova, que apoia e divulga as ações da iniciativa.

O Teia conta também com colaboradores das próprias comunidades rurais, especialmente coletivos de mulheres agricultoras, que são protagonistas na construção dos roteiros turísticos, além da elaboração da Carta de Manejo Comunitário.

Outro exemplo é o trabalho com o grupo Mulheres do Campo, da comunidade de São Francisco, em Lagoa Nova/RN. “Crescimento e força de vontade de não desistir dos nossos sonhos e projetos, que não podem ficar no papel ou esquecidos. Eles devem ser realizados e, quando conseguimos alguém para nos ajudar, aí sim, temos que lutar para ver tudo ser realizado”, relata a líder do grupo, Vitória Galdino, sobre a experiência de apoio que recebeu do Teia.

 

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