Quarta-Feira, 06 de May de 2026

Postado às 16h15 | 06 May 2026 | redação Entre trocas e memórias, a paixão pelo álbum da Copa em Mossoró

Crédito da foto: Reprodução Movimento em Ademar é intenso

Marcos Santos – Jornal de Fato

Quem passa pela banca de Ademar, no centro de Mossoró, percebe de longe: o movimento é intenso. Crianças, adolescentes e adultos, homens e mulheres, todos reunidos em torno de um mesmo objetivo — completar o álbum da Copa do Mundo.

A cena se repete semana após semana e traduz o clima de euforia que antecede o Mundial. Faltando 36 dias para o início da competição, a expectativa é de que o fluxo aumente ainda mais quando a bola começar a rolar.

Entre compra de pacotinhos, trocas e a espera por figurinhas específicas, o local se transforma em um ponto de encontro para colecionadores. Mais do que um passatempo, o hábito revela histórias de persistência, memória e conexão social.

A reportagem conversou com dois desses apaixonados: Ítalo Marinho e Sandro Cocco, que mantêm viva a tradição de colecionar álbuns de figurinhas.

Ítalo, 45 anos, começou cedo. “Aos 14 anos, quando estudava no Diocesano. Via muitas crianças colecionando e isso me cativou. Passei a colecionar, perseverar e de lá para cá não parei mais. São 32 anos colecionando”, contou o auxiliar de escritório da Asba Advogados Associados.

Colecionador desde 1994, ele diz que aprecia cada etapa do processo, sem pressa para concluir o álbum.

Ítalo Marinho coleciona álbum da Copa desde 1994

“Rasgo o pacote, não sou de criar expectativa se tem raridade ou não, sigo o fluxo normal. Se tiver repetida, repasso para outra pessoa que ainda não tem e vou trocando. Não sou de completar rápido, até porque não tenho muita condição de comprar em grande quantidade”, explica.

Já Sandro Cocco, professor de Ciências Humanas, define-se como um “colecionador raiz”. Desde 2014, ele mantém o ritual de frequentar a banca religiosamente aos domingos.

“Sou de comprar os pacotinhos, abrir, catalogar tudo, curtir todo o processo do colecionismo. Aqui em Ademar posso interagir, fazer novos amigos, adquirir conhecimento e compartilhar saberes e vivências”, relatou.

Para Cocco, o colecionismo vai além da simples coleção.

“Além de nos desconectar desse mundo virtual ao qual somos tragados todos os dias, permite a interação social, conhecer novas pessoas, trocar conhecimentos. Há espaço para um desenvolvimento de conhecimentos sobre economia, geografia e culturas que enriquecem a vida de qualquer um que adentre esse universo do colecionismo do álbum da copa”, afirmou.

Sandro Cocco exibe pacotinhos de figurinhas: “Compro o que a infância sonhou...”

MEMÓRIA E VALOR SIMBÓLICO

Mais do que um hobby, os álbuns de figurinhas representam um registro histórico e afetivo. Ao folhear anos depois, é possível revisitar campanhas memoráveis, relembrar grandes jogadores e também notar ausências marcantes em determinadas seleções.

“O que está escrito ali é muito importante. Você lê, aprende sobre os países, a geografia, a origem dos atletas. Sem falar no valor que um álbum pode ter no futuro. Já vi casos de colecionadores lucrando, mas o meu objetivo é outro: o valor simbólico e histórico, a memória afetiva”, destacou Ítalo.

INFÂNCIA E SONHOS                                     

O álbum também representa a realização de um sonho de infância. Cocco lembra que, quando criança não teve condições de participar dessa cultura.

“Eu vim de uma família muito pobre e não podia ter álbuns. Quando comecei a trabalhar, passei a colecionar não só os das Copas que vivi, mas também os das edições anteriores. Hoje, só me faltam os de 1994 e 1998”, contou.

Inspirado pela música “Coração Pirata”, do Roupa Nova, ele resume o sentimento: “Eu compro o que a infância sonhou... Sempre quis colecionar, mas não podia. Hoje, desde 2014, coleciono três álbuns por Copa”.

 

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