Quarta-Feira, 14 de outubro de 2026

Postado às 16h00 | 14 out 2026 | redção Quem era o potiguar morto após ser detido para deportação na Turquia

Crédito da foto: Cedida Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, era programador e morava na Europa havia 7 anos

Os irmãos de Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, brasileiro morto na Turquia após ser detido em um centro migratório, disseram que ele era uma pessoa que "gostava de viver a vida" e uma referência na família.

Potiguar, Lucas era empresário e programador, trabalhava de maneira remota e morava em Portugal havia 7 anos. A causa da morte não havia sido informada à família até esta quarta-feira (14).

O brasileiro estava a passeio na Turquia quando se envolveu em uma discussão religiosa e teve o rosto cortado. Ao procurar ajuda das autoridades locais, ele acabou sendo detido e levado para um centro de detenção de migrantes em Esmirna.

"Ele era um cara muito querido por todo mundo. Um grande herói pra todos nós. Todos somos artistas, do marketing, profissionais do mercado, e ele é uma grande referência pra mim nisso. E hoje é um dos piores dias da minha vida", disse o irmão Felipe Medeiros em entrevista à Inter TV.

A família questiona as circunstâncias da morte do brasileiro e as versões repassadas pelas autoridades locais sobre o caso. Segundo os irmãos, eles receberam informações de que Lucas teria morrido em um hotel, mesmo após ser detido pelas autoridades. Os parentes dizem que as informações recebidas não esclarecem como Lucas deixou o centro migratório e foi parar no hotel.

Segundo os irmãos, Lucas não tinha histórico de confusões e conversou com a família normalmente, dizendo estar bem, mesmo após ser detido.

"Meu irmão era uma pessoa que gostava da vida, curtia a vida dele, ele passeava, fazia tudo. Ele estava em contato com a gente, ele estava bem", contou o irmão Mateus Nascimento.

Segundo Mateus, Lucas pretendia vir ao Brasil no fim deste ano para ficar fora da Europa no período de inverno mais intenso e aproveitar para estar ao lado da família.

A família contou que Lucas era acostumado a viajar e, inclusive, já tinha passeios e atividades previstas para fazer na Turquia, antes de ser detido.

"Ele era um empresário de sucesso. Um cara que eu admiro muito. Ele foi se divertir na vida um pouquinho. Porque ele merecia, ele trabalhou muito", disse o irmão Felipe Medeiros.

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu na Turquia — Foto: Cedida

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu na Turquia — Foto: Cedida

 

Irmão fez contato com a família

Segundo a família, a última comunicação direta ocorreu na quinta-feira (8), quando o jovem informou que estava detido e que sua deportação para o Brasil já estava marcada. A mãe de Lucas chegou a ir ao Aeroporto Internacional de Guarulhos na segunda-feira (12) para aguardar o filho, mas a companhia aérea informou que ele não havia embarcado.

Para Felipe Medeiros, irmão de Lucas, faltou clareza das autoridades turcas e também respeito com a família. "Eles fizeram minha mãe esperar um filho dela que não viria no aeroporto", lamentou.

De acordo com o irmão Mateus Nascimento, os familiares receberam múltiplas informações desencontradas por parte de consulados e autoridades internacionais desde o último contato.

"A única informação oficial que a gente tinha recebido é que meu irmão morreu de formas diferentes, eles já deram duas versões. Total falta de transparência, total falta de empatia", declarou Mateus.

Inicialmente, os parentes foram informados de que o corpo de Lucas havia sido encontrado em um quarto de hotel. Posteriormente, surgiu a versão de que ele teria morrido dentro do próprio centro de retenção migratória, tese que a família refuta, apontando a impossibilidade de alguém estar sob custódia e em um hotel ao mesmo tempo.

"Uma pessoa não está em dois lugares ao mesmo tempo. É impossível alguém ser detido e ao mesmo tempo estar num hotel", falou Felipe Medeiros.

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu na Turquia — Foto: Cedida

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu na Turquia — Foto: Cedida

Traslado do corpo

Segundo a família, o governo turco informou que não faria o traslado do corpo, ficando sob responsabilidade da família. "Eu não acho cabível a gente ter que quitar uma dívida que o governo turco tem conosco", lamentou o irmão Felipe Medeiros.

"A dor, a perda, ninguém vai reembolsar. Mas o cuidado e o translado do corpo do meu irmão, o governo turco tem a obrigação de fazer. É o mínimo", completou.

Uma das irmãs viajou às pressas para a Turquia para acompanhar de perto a situação e tentar liberar o corpo de Lucas.

 

Entenda o caso

A família do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, questiona as circunstâncias da morte dele na Turquia e cobra esclarecimentos das autoridades brasileiras.

Lucas morava havia sete anos na Europa e estava a passeio na Turquia quando, segundo a família, se envolveu em uma discussão de cunho religioso e teve o rosto cortado. Ele procurou as autoridades turcas para relatar o episódio, mas acabou detido e levado para um centro de detenção de migrantes em Esmirna.

A família sabia que ele seria deportado e acreditava que permanecesse sob custódia das autoridades turcas até o retorno ao Brasil. Segundo o irmão Marcos Medeiros, Lucas compartilhava a localização com a mãe quando conseguia acessar o telefone. Uma dessas localizações apontava para o centro de detenção migratória.

Lucas também teve direito a uma ligação e avisou a família sobre a deportação.

Segundo a troca de mensagens apresentada pela família, o último contato ocorreu na quinta-feira (8). Depois disso, as mensagens deixaram de ser enviadas, e os parentes não conseguiram mais falar com Lucas.

A mãe foi ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na segunda-feira (12), para esperar o filho, conforme a previsão de chegada indicada na passagem apresentada à família. No local, porém, a companhia aérea informou que Lucas não havia embarcado.

Depois que a família perdeu contato com Lucas, a ex-namorada dele recebeu um e-mail informando que o brasileiro havia sido encontrado morto em um quarto de hotel na Turquia.

A informação sobre a morte foi posteriormente confirmada pelo Consulado Geral do Brasil em Istambul à Polícia Civil de São Paulo, segundo boletim de ocorrência registrado no 7º Distrito Policial da Lapa.

Para Marcos, a informação não é compatível com o que a família sabia até então sobre o paradeiro do irmão, já que acreditava que Lucas continuava sob custódia migratória enquanto aguardava a deportação.

O boletim de ocorrência também registra o relato sobre a mensagem que comunicou a morte. Segundo o documento, a Polícia Civil entrou em contato com o Consulado-Geral do Brasil em Istambul, que “confirmou a procedência das informações”.

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