RN registrou 22.478 acidentes de trânsito de janeiro de 2025 a julho de 2026
Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato
Relatório técnico elaborado pela equipe de pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) mapeou o impacto dos acidentes de trânsito no sistema de saúde pública do Rio Grande do Norte, constatando que o custo total com hospitalização e procedimentos registrados ultrapassa mais de R$ 6 milhões.
Segundo o relatório, o trânsito no Rio Grande do Norte não é apenas uma questão de segurança viária; este se consolidou como o maior gargalo logístico e financeiro da saúde pública estadual, na qual a imprudência individual é subsidiada por milhões de reais do erário público.
A "Conta" da Alta Complexidade, segundo o documento, embora a mediana de custos seja de R$ 131,54, o verdadeiro dreno orçamentário está nos 10% de casos mais graves. O limiar do P90 é de R$ 736,43, o que significa que um décimo dos pacientes custa acima desse valor, podendo atingir o teto de R$ 10.525,21 por um único atendimento em casos de extrema gravidade.
O estudo aponta que, entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o RN registrou 22.478 acidentes de trânsito. Segundo o levantamento, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG), localizado na capital do estado, concentra 56,17%, o que equivale a 12.625 registros no período analisado.
Na sequência vem o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, com percentual de 33,13% dos atendimentos, o que representa 7.447, e o Hospital Regional Cleodon Carlos, em Pau dos Ferros, com 9,04%, equivalente a 2.033 atendimentos.
Conforme demonstrado pelos pesquisadores, Natal absorve o trauma gerado pelo movimento pendular da Região Metropolitana, registrando 5.488 ocorrências, mas apenas 4.744 residentes acidentados. “A prova definitiva dessa “esponja” está em cidades vizinhas como Parnamirim, que possui 1.071 residentes acidentados para apenas 895 ocorrências locais. Esse excedente de vítimas residentes em “cidades dormitório” prova que o acidente ocorre no deslocamento diário para o polo central”, aponta o documento.
Entre os dados levantados, alguns chamam a atenção, como o fato, por exemplo, dos acidentes ocorrerem, em sua maioria, nos fins de semana e a falta de proteção por parte das vítimas, mesmo sendo uma obrigatoriedade legal. Conforme apontado, 34,02% das vítimas deram entrada sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI) e, em mais da metade dos casos, os motociclistas estavam sem capacete.
Quanto à sazonalidade dos acidentes, o documento aponta que os fins de semana concentram em torno de 35% dos acidentes, com o domingo sendo o dia de maior fluxo, seguido do sábado. Para os pesquisadores, essas informações se tornam fundamentais para a organização da escala de profissionais de saúde, por exemplo, nos principais prontos socorros e urgências.
IDOSOS VULNERÁVEIS
Outra informação relevante levantada pelos pesquisadores diz respeito aos pedestres, vítimas de atropelamento que, em sua maioria são idosos acima de 70 anos. Por serem mais vulneráveis, esses pacientes apresentam taxas de internação, ocupação de UTIs e letalidade cinco vezes maiores do que os motociclistas.
Para os pesquisadores, o maior desafio a ser enfrentado pelo SUS no RN é a vulnerabilidade de pedestres e idosos, gerando uma pressão nas unidades de terapia intensivas.
PERFIL DAS VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO RN
PANORAMA GERAL
Atendimentos hospitalares: 22.478
Atendimentos por dia: 51,2
Atendimentos por semana: 358
Atendimentos por mês: 1.559 (média)
Atendimentos por trimestre: 4.675 (média)
Pacientes internados: 30,7%
Pacientes que necessitam de UTI: 3,8%
Custo total com hospitalização e procedimentos registrados: R$ 6.363.332,11
Fonte: LAIS/UFR
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