Walter Alves posou para foto com Flávio Bolsonaro e Baleia Rossi, em São Paulo
Da Redação do Jornal de Fato
O MDB nacional oficializou apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas sete diretórios do partido na região Nordeste e três da região Norte discordaram da decisão e anunciaram que segue apoiando o presidente Lula (PT).
No Nordeste, Lula tem o apoio do MDB de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Paraíba. A eles se juntaram Amazonas, Pará e Rondônia, da região Norte.
Essa divisão tem impacto na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. É que a decisão do diretório estadual, presidido pelo vice-governador dissidente Walter Alves, oficializa aliança da candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) com o bolsonarismo. O vice de Allyson, deputado estadual Hermano Morais, é do MDB, indicado por Walter.
A posição assumida pelo MDB potiguar consolida o seu rompimento com o presidente Lula, que apoia a candidatura de Cadu de Lula (PT) ao governo do RN. Lula foi responsável direto pela indicação de Walter para vice na chapa da governadora Fátima Bezerra (PT) na eleição de 2022. O líder petista acomodou Walter dentro do processo nacional daquele ano, para ter o apoio do MDB contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
Com Walter Alves abraçado a Flávio Bolsonaro, torna-se mais difícil Allyson Bezerra sustentar a posição de “neutralidade”. Ele usa essa estratégia para ter os votos dos eleitores de Lula no Rio Grande do Norte. No primeiro turno, Lula recebeu 59,77% dos votos computados. Segundo as pesquisas de variados institutos, cerca de 40% dos eleitores que disseram votar em Lula estavam na intenção de votos de Allyson Bezerra.
Além da manifestação pública de Walter Alves e do MDB em defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro, outros representantes do bolsonarismo potiguar colocaram Flávio ao lado de Allyson, anunciando os seus apoios como foram os casos dos deputados federais Sargento Gonçalves e Carla Dickson e da deputada federal eleita Nina Souza, do PL.
Dessa forma, o candidato apoiado pelo bolsonarismo precisa segurar os eleitores de Lula para superar o adversário Cadu de Lula nas urnas do dia 25. É isso que Allyson tem tentado fazer, inclusive, orientando a sua militância a usar as cores de Flávio e de Lula para ter os eleitores dos dois lados.
Já Cadu amplia o discurso para esclarecer que “ quem vota em Lula, vota em Cadu”. O próprio presidente reforçou essa fala quando esteve em Natal na semana passada, em mobilização ocorrida no Alecrim. “Cadu é o nosso candidato a governador; quem vota em Lula, vota em Cadu”, reafirmou.
Acirrado
Allyson e Cadu fazem uma disputa sem favoritismo no segundo turno, conforme os números da primeira pesquisa Quaest, contratada pela InterTV Cabugi, afiliada da Globo no estado. Divulgada nesta terça-feira, 13, a pesquisa mostra Allyson com 45% e Cadu, 42%, empatados dentro da margem de erro.
Walter nega apoio ao fiador de seu nome em 2022
Ao trocar o presidente Lula pelo senador Flávio Bolsonaro, o vice-governador Walter Alves nega apoio ao fiador de seu nome para vice da governadora Fátima Bezerra na eleição de 2022. Havia resistência do PT potiguar, justamente por não confiar em Walter. Mesmo assim, Lula incluiu o MDB do RN no combo de apoios do partido ao projeto presidencial daquele ano.
Agora, Walter está no palanque do bolsonarismo. Ele iniciou esse caminho no inicio do ano, quando rompeu com a governadora Fátima para se aliar ao candidato Allyson Bezerra. O vice-governador saiu “atirando” contra o governo que ele fez parte, apontando para um “futuro sombrio” que não se confirmou até agora.
Ao deixar o grupo para compor o palanque da oposição, indicando o vice de Allyson Bezerra, o deputado emedebista Hermano Morais, o vice-governador se aliou aos ex-governadores José Agripino Maia e Robinson Faria e, agora, abraçou-se ao bolsonarismo com apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
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