Quarta-Feira, 30 de setembro de 2026

Postado às 12h00 | 30 set 2026 | redação Leo Souza: 'Quero levar para o âmbito estadual as bandeiras que defendemos na Câmara'

Crédito da foto: Jornal de Fato Leo Souza no Cafezinho com César Santos, sede do Jornal de Fato

Por César Santos / Jornal de Fato

 

Em 2015, Leo Souza tornou-se conhecido em todo o Rio Grande do Norte com o “Rota”, programa exibido aos sábados pela Inter TV Costa Branca, afiliada da Rede Globo. O comunicador ganhou fama e realizou grande trabalho que elevou a importância da cultura, da arte e das belezas naturais do estado. Ele também se notabilizou por um importante trabalho social que desenvolve há mais de uma década, contribuindo para a formação e a qualificação profissional de jovens e adultos.

Leo Souza entendeu que poderia contribuir de forma mais ampla se usasse a política como ferramenta de transformação social. Em 2018, ele foi aprovado em um processo seletivo do RenovaBR, a primeira escola de políticos do Brasil. Em 2020, ingressou na política potiguar, com a missão de ampliar o trabalho social e contribuir na discussão de temas importantes. Não conseguiu sucesso nas urnas com a sua candidatura a vereador em Natal, embora tenha sido o nono mais votado.

Quatro anos depois, em 2024, alcançou êxito e foi eleito vereador da capital potiguar, entre os mais votados do seu partido, com 5.435 votos, distribuídos em todas as regiões de Natal. A educação, a melhoria do transporte público e da saúde estão entre as principais bandeiras de sua atuação como vereador.

Agora, nas eleições deste domingo, 4 de outubro, Leo Souza quer transferir a sua luta para o âmbito estadual. Candidato a deputado estadual pelo PSDB, o comunicador e vereador natalense entende que chegou o momento da renovação, a partir de políticos que têm propostas para transformar a vida das pessoas.

Nesta terça-feira, 29, Leo Souza tomou o “Cafezinho com César Santos” na sede do Jornal de Fato, no Corredor Cultural de Mossoró. Falou sobre projetos, sua motivação na política e as possibilidades de se transferir do Palácio Padre Miguelinho, sede da Câmara Municipal de Natal, para o Palácio José Augusto, sede da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Confira:

Sua caminhada política começou na escola de formação de novos políticos, o RenovaBR. A partir daí, o senhor iniciou uma trajetória voltada para as causas sociais e chegou à Câmara Municipal de Natal. Agora, busca um novo passo na carreira. É essa base de formação de novos políticos que sustenta o seu projeto à Assembleia Legislativa?

Entrei na política justamente com o propósito de contribuir para melhorar a qualidade da política. Fui da primeira turma do RenovaBR, uma escola pensada para que pessoas comuns possam participar da política. Na época, as vagas eram muito restritas: havia mais de 800 pessoas concorrendo a uma vaga. Passei pelo processo seletivo e fui selecionado. Em 2020, eu vivia muito esse sentimento de antipolítica que a maioria das pessoas manifesta quando olha para a política. Fui candidato sem ser filho de político nem ter familiares com mandato. Praticamente, tive que alcançar sozinho o quociente eleitoral. Fui o nono candidato mais votado em Natal, em plena pandemia, mas não consegui me eleger, no entanto, tive muito aprendizado. Em 2024, tentamos novamente, dessa vez buscando um partido maior, com melhores condições para a disputa. Concorri com quatro vereadores que já tinham mandato, recebi mais votos do que os quatro candidatos à reeleição e conquistei uma cadeira na Câmara de Natal. Agora, não se trata apenas de subir mais um degrau, mas de levar para o âmbito estadual as bandeiras que defendemos e que estabelecemos previamente como prioridades do nosso mandato.

 

É a partir dessa base que o senhor parte agora para a disputa estadual. Como o senhor se vê na Assembleia Legislativa?

Eu me vejo como parte de uma nova geração de políticos. Quando olhamos para a Assembleia Legislativa do nosso estado, inclusive para a formação das nominatas, percebemos as dificuldades que existem para quem está começando. Tive muita dificuldade para encontrar partidos dispostos a me receber. Ouvi argumentos como: “Você pode crescer muito aqui, mas temos a família tal, que está na Assembleia desde a sua fundação, e não podemos perder essa cadeira. Temos fulano, cujo irmão é conselheiro do tribunal (TCE-RN), e também não podemos perder essa vaga”. Acredito que a Assembleia precisa de uma nova geração de políticos. Se olharmos para dados e evidências, veremos que essa renovação já aconteceu em outros estados, com pessoas comuns apresentando novas ideias e soluções. Vejo-me nessa trincheira, trazendo propostas e buscando soluções, como temos feito em Natal. Na saúde pública, por exemplo, temos a situação da Unicat, que precisa de novas ideias e de uma solução efetiva. Quem depende de determinado medicamento ou do acesso à saúde pública geralmente já esgotou outras alternativas. Não tem outro caminho para buscar atendimento. Respeito muito a maturidade e a experiência, que são fundamentais, mas precisamos equilibrá-las com a presença de pessoas novas, com outras ideias e propostas para solucionar os problemas do nosso estado.

O senhor tem uma bandeira importante na melhoria do transporte público, que resultou em uma lei aprovada na Câmara Municipal de Natal. Agora, como candidato a deputado estadual, apresenta uma proposta que busca atrair a iniciativa privada para explorar os abrigos e terminais de passageiros. Como essa proposta pode se concretizar?

Quando começamos a estudar o transporte público, percebemos um problema que existe no país inteiro. São Paulo, por exemplo, é uma das cidades com maior arrecadação, mas o transporte público não se sustenta apenas com a receita que gera, porque se tornou um serviço muito caro. O transporte é público apenas no nome. A saúde é pública, mas recebe subsídios; a educação também é pública e subsidiada. Já no transporte, o usuário, ou melhor, o cliente, precisa pagar para ter acesso ao serviço. Começamos a perceber que, para melhorar o transporte, também precisamos melhorar as condições oferecidas aos passageiros. O problema é que não há recursos suficientes para isso. A conta não fecha. Se você tenta equilibrar os custos reduzindo linhas de ônibus, acaba diminuindo a oferta e comprometendo ainda mais a qualidade de um serviço que já é precário. Por isso, começamos a analisar, com base em dados e evidências, experiências que estavam dando certo. Conhecemos um projeto de naming rights que já funcionava em São Paulo. A Casas Bahia, por exemplo, assumiu o terminal da Berrini (O Terminal de Ônibus da Estação Berrini fica na Zona Sul de São Paulo) e transformou o espaço em uma grande vitrine da marca. O passageiro encontra ali outras facilidades, inclusive a possibilidade de fazer crédito na hora. Em contrapartida, a empresa oferece ao poder público a estrutura necessária para investir no serviço.

 

É possível fazer esse modelo funcionar no Rio Grande do Norte?

Foi esse modelo que propusemos para Natal. Já temos seis empresas interessadas. O que queremos agora é levar essa bandeira para o âmbito estadual, olhar também para o transporte intermunicipal, dar visibilidade aos problemas e cobrar qualidade para quem depende desse serviço. Eu acredito que é possível fazer funcionar em todo o estado. Quando assumi a luta pelo transporte público de Natal, que era uma prioridade havia 30 anos, mas ainda não contava com licitação, as pessoas desacreditavam e afirmavam: “Você vai ser só mais um”. Eu dizia: se conseguirmos resolver isso em quatro anos, terei cumprido minha missão. E, antes desse prazo, em um ano e nove meses, conseguimos destravar o processo e fazer com que a Prefeitura publicasse o edital de licitação. Agora, no dia 4 de novembro, vamos conhecer os vencedores. Então, a luta com responsabilidade torna-se possível.

Outra proposta que o senhor tem apresentado é a do Remédio na Mão. Como funciona?

Começamos a receber muitas mensagens de pessoas prejudicadas pela falta de medicamentos e fomos ouvir esses cidadãos. Por isso, até recebi o apelido de “vereador estadual”, porque a Unicat é de responsabilidade do estado, e não do município. Então, pensei: vamos voltar à nossa área de atuação. Se não posso intervir diretamente na Unicat, vamos olhar para a rede municipal. Percebemos que, por problemas de abastecimento, processos licitatórios, prazos ou excesso de burocracia, as pessoas ficavam sem acesso aos medicamentos na rede pública municipal. Criamos uma lei, que foi aprovada, permitindo que o cidadão atendido em uma UPA, UBS ou USF do município, caso não encontre o medicamento prescrito na unidade por qualquer um desses motivos, possa obtê-lo na rede privada conveniada. Basta apresentar a receita emitida pela prefeitura para receber o medicamento, e depois o município faz o pagamento por Pix.

 

Foi uma forma de desburocratizar o atendimento das pessoas que mais precisam da assistência no sistema de saúde pública?

Essa ação é muito importante porque, no fim das contas, o cidadão quer ter seu problema resolvido. Quem precisa de um medicamento prescrito não pode esperar pela burocracia do poder público para ter acesso ao tratamento. Foi uma maneira de identificar o problema e apresentar uma solução. Esperamos levar essa iniciativa para o âmbito estadual, inclusive para enfrentar situações como as da Unicat. Há pessoas que viajam durante horas para chegar a Natal e, quando finalmente conseguem atendimento, encontram o sistema fora do ar, não conseguem fazer o agendamento ou se deparam com algum outro impedimento. Já flagramos várias situações assim. Algumas pessoas chegam com isopor e gelo para conservar os medicamentos, mas acabam não conseguindo sair com eles. Queremos justamente resolver esse problema.

A disputa para a Assembleia Legislativa é bastante acirrada, com nominatas fortes e candidatos que já têm mandato. O partido, o PSDB, também é bastante concorrido. Como o senhor avalia suas possibilidades de eleição nesse cenário?

Sabíamos que seria uma disputa muito difícil quando formamos a nominata. Conversamos entre nós e entendemos que seria uma disputa ombro a ombro. Durante o percurso, chegamos a vislumbrar a quinta vaga, algo que parecia bastante possível naquele momento. Houve algumas desistências e também uma pressão externa para que eu desistisse. Muitas pessoas chegavam e diziam: “Rapaz, você tem que desistir”. De fato, se eu fosse olhar apenas para a estrutura dos outros candidatos, talvez nem disputasse, porque não tenho as mesmas condições de um deputado que já possui mandato. A diferença é surreal, abissal. Não se compara a uma disputa para a Câmara Municipal. Por outro lado, tenho uma vantagem competitiva que meus colegas não têm. Posso chegar a qualquer cidade ou bairro, como aqui em Mossoró, sem precisar de uma liderança local para me apresentar. Isso não é demérito para ninguém. Eu gostaria de ter essas lideranças, mas, infelizmente, não tenho. Isso, porém, não me impede de chegar às pessoas e ser reconhecido. Sou muito grato pelo período em que trabalhei na televisão, mas também há pessoas que reconhecem nosso trabalho por outras razões, pelo que temos feito e pela capacidade de furar a bolha da política. Nossa vantagem é essa capilaridade, a possibilidade de chegar a diferentes lugares e pedir o voto diretamente ao eleitor.

 

E a viabilidade eleitoral?

Não é fácil, mas faz parte do jogo. Só tem êxito quem vai até o final. Acredito muito que, principalmente nesta reta final, com o crescimento que estamos tendo e a procura de eleitores indecisos, de pessoas que não queriam votar em ninguém, mas acreditam que precisamos de uma nova geração de políticos, podemos ter uma surpresa. Se Deus quiser, no próximo domingo teremos uma nova cadeira, renovada, na Assembleia Legislativa.

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