Pré-candidata a deputada federal Suyane Varela no Cafezinho com César Santos
Por César Santos / Da Redação
Um rosto novo, ainda desconhecido do grande público, começa a se apresentar como opção para representar Mossoró na Câmara dos Deputados. Suyane Thainara Varela de Medeiros, filiada ao partido Novo, acredita ser possível surpreender no pleito deste ano a partir de uma pauta que os políticos tradicionais não costumam visitar: a defesa das mães solo.
Formada em contabilidade e acadêmica em gestão pública, Suyane Varela afirma que tem trabalho em projetos sociais que sustentam a sua postulação. A luta em defesa das mães solo, segundo ela, é uma bandeira importante, que pouco ou nunca aparece no debate eleitoral.
“No Rio Grande do Norte, segundo os dados mais recentes, somos o terceiro estado com maior proporção de famílias chefiadas por mães solo”, revela Suyane durante o Cafezinho com César Santos.
Suyane Varela, apesar de colocar o seu nome pela primeira vez como candidata, já trabalha nos bastidores da política há uma década. Ela também fez parte das gestões de Cláudia Regina e de Silveira Júnior, ocupando cargos técnicos.
Confira a entrevista:

Esta é a sua primeira disputa eleitoral como candidata à deputada federal. A senhora ainda é desconhecida do grande público. De que forma e quando nasceu esse projeto político-eleitoral?
Na realidade, é um projeto que vem de muito tempo. Nós já desenvolvemos um trabalho dentro das comunidades, não somos desconhecidas nessas áreas, e, além disso, nós sempre estivemos nos bastidores da política. A minha postulação é um projeto silencioso, que já era reconhecido por muitas pessoas. Agora chegou o momento de torná-lo público e de apresentar esse trabalho de forma mais ampla em Mossoró e em todo o Rio Grande do Norte.
Mossoró deixou de ter um representante em Brasília a partir de 2023, quando o ex-deputado Beto Rosado concluiu o seu mandato. Depois de sete décadas, a cidade ficou sem um representante legítimo na Câmara Federal. De certa forma, isso abre um espaço que pode impulsionar a sua candidatura como representante legítima de Mossoró?
Sim. Eu sempre digo que precisamos dessa representatividade, principalmente nós, mulheres. Hoje, Mossoró está sem alguém que lute por políticas públicas e por leis importantes para a nossa população. Há espaço importante que nós pretendemos ocupar. O desafio é grande, é uma missão desafiadora, mas precisamos de alguém que fale por nós. Mossoró é o segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte e não tem ninguém que represente a cidade em Brasília, alguém que conheça as nossas dores e a nossa realidade. Acho que já está na hora de mudar isso.

Na sua avaliação, quais são os setores mais prejudicados com essa ausência de representatividade de Mossoró em Brasília?
Tenho caminhado muito por Mossoró e pela região Oeste, conversando com as pessoas e ouvindo os lamentos. O que mais escuto são reclamações relacionadas à Segurança Pública e à Educação. As pessoas sentem falta de representantes que olhem com mais atenção para essas duas áreas. São áreas sensíveis, que dependem de políticas públicas. Sem ter representantes que trabalham com essa responsabilidade, a população sofre com as consequências.
Além da defesa dos interesses de Mossoró, qual será a principal pauta da sua candidatura?
Eu digo que é uma pauta inédita. Acredito que nunca foi uma pauta realmente discutida e defendida, que é a causa das mães solo. Quero dar voz e vez a essas mulheres. Vou defender as mães solo empreendedoras, que são chefes de família, donas de casa e também as mães atípicas. Hoje, o Brasil tem cerca de 11 milhões de mães solo responsáveis pelo sustento de suas famílias. No Rio Grande do Norte, segundo os dados mais recentes, somos o terceiro estado com maior proporção de famílias chefiadas por mães solo. Quero ser a voz dessas mulheres.
A senhora tem um diagnóstico sobre essa realidade enfrentada pelas mães solo?
Sim. E baseado nos dados trabalhamos em cima de projetos e levantamentos. Tenho conversado com muitas mães durante as visitas que faço em Mossoró e região. A principal necessidade relatada por elas é a falta de oportunidades e de creches em tempo integral. São mães solo qualificadas, com formação profissional, mas que não conseguem ingressar no mercado de trabalho porque não têm onde deixar os filhos. Acabam perdendo oportunidades por falta desse suporte. Além disso, essas mulheres vivem uma grande sobrecarga.

O Partido Novo não terá candidatura própria ao Governo do Estado nem ao Senado, e também não lançará chapa para deputado estadual. Essa ausência pode prejudicar a campanha dos candidatos à Câmara Federal?
Não. O Novo está chegando ao Rio Grande do Norte. É um projeto inovador que já possui uma presença muito maior nas regiões Sul e Sudeste. Estamos iniciando esse trabalho aqui. Temos uma parceria com o PL e caminharemos juntos durante a campanha eleitoral deste ano. Acredito que essa união será importante neste momento. Mais adiante, o projeto tende a crescer e ganhar ainda mais força no estado.
O Novo formou uma nominata com nove candidatos à Câmara Federal, muitos deles ainda sem densidade eleitoral e pouco conhecidos do público. O objetivo primordial dessa campanha seria buscar a consolidação do partido no Rio Grande do Norte?
O Novo foi um dos partidos que mais me surpreendeu pela organização. É um partido muito organizado e que oferece oportunidade para pessoas comuns disputarem eleições, apresentarem ideias e defenderem suas causas. Aqui no Rio Grande do Norte conseguimos montar uma nominata com pessoas muito interessantes. Elas ainda não são conhecidas no meio político como ocorre em outros partidos, mas desenvolvem um excelente trabalho nas comunidades e nas áreas urbanas. Temos advogados, médicos, pessoas com experiência política e suplentes de vereador. A nominata está organizada. Ainda temos uma estrutura pequena, mas acredito muito nesse projeto e penso que, em 2028, o Novo estará consolidado e ainda mais fortalecido no estado.
Dentro das projeções para esta eleição, a senhora acredita que o Novo pode surpreender?
Acho que sim. Embora muitos dos nossos candidatos ainda não sejam conhecidos politicamente, temos pessoas que podem surpreender. Eu acredito nisso. Costumo dizer que, se ninguém acredita, eu acredito sozinha. Temos metas para cumprir nesta campanha e também estamos construindo um projeto pensando em 2028. Tenho certeza de que o Novo ainda vai surpreender. Temos pessoas muito capacitadas.

A decisão de caminhar ao lado do PL no Rio Grande do Norte foi construída pela direção estadual ou veio de Brasília?
Na verdade, veio de Brasília. O Novo é um partido de direita — eu costumo dizer que é até mais de direita do que a própria direita. O partido tem propostas muito claras, especialmente na defesa da redução de impostos. Houve reuniões e conversas com Rogério e Renato, e todos entenderam que esse era o melhor caminho para seguirmos juntos.
O pré-candidato a deputado federal Kelps Lima tem afirmado, em diversas entrevistas, que a bancada federal do Rio Grande do Norte é irrelevante. Na sua avaliação, essa crítica corresponde à realidade?
Não podemos generalizar, portanto, não concordo com essa avaliação. Pode até existir casos isolados, mas temos parlamentares que desenvolvem um bom trabalho. Então, eu não faria uma avaliação do conjunto da bancada dessa forma. Há exceções e há, por outro lado, parlamentares que desempenham um trabalho relevante.
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