Governadora Fátima Bezerra, presidente Lula e o pré-candidato Cadu Xavier
Por César Santos / Jornal de Fato
Desde que foi instituída a reeleição, a partir das eleições de 1998, que um candidato apoiado pelo governo que foi reeleito não consegue sucesso nas urnas do Rio Grande do Norte.
Para especialistas, governadores reeleitos enfrentam dificuldades para eleger sucessores porque o capital político é intransferível e a máquina administrativa perde eficiência ao fim de oito anos de mandato. Há também processo natural de desgaste, que leva o eleitor a rejeitar a continuidade do mesmo grupo político no poder.
No Rio Grande do Norte, há dois exemplos de governos vitoriosos que não conseguiram ter continuidade com sucessores.
O primeiro ocorreu na eleição de 2002, quando o candidato apoiado pelo governador Garibaldi Filho (PMDB, hoje MDB) fracassou nas urnas. Fernando Freire (PMDB), que era vice-governador e assumiu o governo para ser candidato à reeleição, foi derrotado por Wilma de Faria (PSB), que renunciou à Prefeitura de Natal para se eleger governadora.
Fernando Freire, que teve o médico e ex-deputado Laíre Rosado como vice, até conseguiu passar para o segundo turno, deixando para trás o ex-senador Fernando Bezerra (PTB), mas foi superado pela chapa Wilma de Faria/Antônio Jácome na votação final, com uma maioria de quase 300 mil votos (veja quadro nessa página).
Naquela eleição, Garibaldi Filho, que teve o governo aprovado pela maioria da população, elegeu-se senador da República com 714.363 votos (29,48%), ao lado de José Agripino Maia (PFL), que recebeu 594.912 votos (24,53%). Ou seja, o eleitor votou em Garibaldi, mas rejeitou a continuidade do seu projeto de governo com Fernando Freire.
Wilma de Faria, com aprovação em alta, foi reeleita em 2006, já tendo Iberê Ferreira (PSB) como vice-governador. Quatro anos depois, ela tentou eleger o sucessor, Iberê, que teve como vice Vágner Araújo (PSB), mas fracassou nas urnas.
Iberê Ferreira havia assumido o governo para ser candidato à reeleição, sendo derrotado pela chapa da então senadora Rosalba Ciarlini (DEM)/Robinson Faria (PMN) ainda no primeiro turno das eleições. Naquele pleito, a disputa pelo governo estadual teve ainda a candidatura do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), que terminou em terceiro lugar (veja quadro nessa página).
Além de não conseguir fazer o sucessor, Wilma de Faria fracassou na tentativa de se eleger senadora da República. A líder socialista terminou em terceiro lugar, com 651.538 votos (21,89%), e viu os senadores Garibaldi Filho, com 1.042.272 votos (35,03%), e Agripino Maia, com 958.891 (32,23%), serem reeleitos.
Desafio
Esse histórico, que não é uma ciência exata, será desafiado pelo jovem Cadu Xavier (PT), pré-candidato a governador com apoio da atual governadora Fátima Bezerra (PT). Ele tem dito que não teme qualquer situação que exige esforço, coragem ou resiliência para ser superada, e se mostra confiante no projeto eleitoral.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu tem afirmado que vai defender o legado do governo Fátima, destacando o projeto político-administrativo que foi iniciado em 2018, quando a petista se elegeu governadora.
“Fátima é a minha grande inspiração”, tem afirmado Cadu ao exibir uma lista de obras, projetos e ações do governo estadual. É com esse discurso que ele se mostra disposto a desafiar a história recente e ser o primeiro governador eleito do Rio Grande do Norte com apoio do grupo político que está no poder por oito anos consecutivos.
RESULTADOS DAS ELEIÇÕES DE 2002 E 2010
ELEIÇÃO DE 2002 – 2º turno
Governo do Estado
- Eleita: Wilma de Faria (PSB): 820.541 (61,05%)
- Segundo Colocado: Fernando Freire (PMDB): 523.614 (38,95%)
Senado da República
- Eleito: Garibaldi Filho (PMDB): 714.363 votos (29,48%),
- Eleito: Agripino Maia (PFL): 594.912 votos (24,53%)
ELEIÇÃO DE 2010 – 1º turno
Governo do Estado
- Eleita: Rosalba Ciarlini (DEM): 813.813 (52,46%)
- Segundo colocado: Iberê Ferreira (PSB): 562.256 (36,24%)
- Terceiro colocado: Carlos Eduardo (PDT): 160.828 (10,36%)
Senado da República
- Eleito: Garibaldi Filho (PMDB): 1.042.272 votos (35,03%)
- Eleito: Agripino Maia (DEM): 958.891 (32,23%)
“Cadu de Lula” é uma das apostas do pré-candidato do PT
“Cadu de Lula”. É assim que Cadu Xavier busca se identificar com os eleitores do presidente Lula no Rio Grande do Norte. Tem dado certo até aqui. De desconhecido da política potiguar, o pré-candidato a governador aparece com boa performance nas pesquisas de intenção de votos e tem crescido conforme torna-se ainda mais conhecido no estado.
A decisão de colar o nome ao do presidente da República é justificada pela influência que Lula exerce no eleitor potiguar. Nas eleições de 2022, Lula venceu no estado com 65,10%, tendo um total de 1.326.785 de votos computados. Para se ter ideia, Lula colocou uma maioria no estado sobre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) de 615.404 mil votos, que recebeu 711.381votos (34,90%). Só os votos da maioria eram capazes de eleger até quatro deputados federais no estado.
Não é uma garantia que a força eleitoral de Lula transfira votos para Cadu Xavier, no entanto, ter um “cabo-eleitoral” com tamanha influência sobre o eleitorado potiguar é importante para qualquer candidato.
O legado do governo Fátima Bezerra é colocado no discurso de Cadu por onde ele anda. O pré-candidato a governador não se incomoda com as pesquisas que apontam os índices de desaprovação maiores do que aprovação do governo, e faz o contrapronto mostrando o lado positivo do governo.
Cadu vem destacando o equilíbrio fiscal, a regularidade do pagamento dos servidores e investimentos em áreas como segurança pública. Ele aponta a atual gestão como uma de suas principais inspirações políticas e defende a continuidade desse projeto.
Sobre o equilíbrio fiscal e pessoal, Cadu destaca que a gestão conseguiu manter o pagamento do funcionalismo em dia e honrar o calendário de décimos terceiros, algo que era um desafio crônico no estado.
Em relação à segurança pública, ele tem defendido os índices de segurança, afirmando que o estado tem alcançado reduções na violência, embora esse seja um tema frequentemente debatido pela oposição devido a desafios regionais.
Lula cumprirá agenda no RN na próxima quinta-feira, 2
Cadu Xavier terá a primeira agenda com o presidente Lula no Rio Grande do Norte, desde que assumiu a pré-candidatura a governador, na próxima quinta-feira, 2. A visita ao estado foi confirmada pelo Palácio do Planalto nesta sexta-feira, 26.
Na agenda oficial, o presidente da República visitará o túnel de Major Sales do Ramal do Apodi, localizado no Alto Oeste potiguar. A importante obra faz parte do projeto de transposição do rio São Francisco, que vai beneficiar 750 mil pessoas em 54 municípios.
Na agenda política, Lula anunciará o apoio aos candidatos da chapa majoritária, que tem Cadu Xavier para governador; a vereadora Samanda Alves (PT) e o ex-deputado Rafael Motta (PDT) para o Senado da República.
Fora da agenda pública, Lula deverá fazer fotos e gravar depoimento de apoio a “Cadu de Lula” para governador.
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