Cabo Deyvison quando era socorrido na noite de segunda-feira, 15
Por Edilson Damasceno / Jornal de Fato
Duas áreas que, vez por outra, despontam no cenário nacional e que apresenta uma realidade tida como cruel da sociedade contemporânea: política e polícia. Atentados, assassinatos, ameaças e tiros que, como resultado, pode apresentar algum corpo crivado de balas. E foi o que se viu em Mossoró na noite da segunda-feira (15), em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel, onde o vereador Cabo Deyvison (PL), pré-candidato a deputado federal, gravava um vídeo sobre problemas da saúde que afetam a vida do cidadão mossoroense.
Em poucos segundos, tiros de fuzis cortaram o ar e mudaram o som que era ouvido na frente da UPA. Uma pessoa morreu na hora e outra foi atingida na perna, e caso não tivesse desviado os tiros teriam atingido a cabeça e o tórax. O videomaker Alyson Dyego, assessor de Cabo Deyvison, caiu morto. O parlamentar sobreviveu e ontem à tarde foi submetido à cirurgia no joelho direito, no qual um projétil ficou alojado. O procedimento ocorreu no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).
O vereador conversou com a imprensa no quarto do hospital. Ao ser perguntado sobre como estava, ele foi enfático: fisicamente estável e psicologicamente abatido. “Um irmão tombou”, disse. Ele afirmou que não descarta nenhuma possibilidade para o tentado, seja de facção criminosa ou em virtude de questão política.
“Em 14 anos de polícia nunca sofri um atentado. Em um ano e meio como vereador, este é o segundo”, afirmou o vereador, acrescentando que não sabe de onde veio a ordem para matá-lo e que a certeza que tem é que vem do lado obscuro da política e do crime. “(O atentado) tem ligação política. Venho fiscalizando, dando vez e voz ao povo da periferia. Como estou defendendo o direito do nosso povo, sou atacado. Isso é terrorismo”, disse. E reafirma: “nada está descartado, de envolvimento político e facção. Vamos acompanhar passo a passo.”
Ainda na noite da segunda-feira, tão logo a notícia sobre o atentado contra o vereador mossoroense repercutiu no Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) determinou diligências imediatas. O comandante da Polícia Militar do RN, coronel Francisco Araújo afirmou, na manhã de ontem, que a ação contra o parlamentar de Mossoró teria sido concretizada pelo crime organizado.
Segundo o comandante da PM/RN, não existem, até o momento, indícios de que o crime tenha motivação política. “O que o vereador fala ou diz, nós, como força de segurança, temos que garantir o direito dele de falar. A investigação está ligada diretamente ao atentado, ao homicídio e à tentativa de homicídio contra ele. Todas as linhas de investigação, a Polícia Civil vai fazer. Mas, inicialmente, nós não temos linha de investigação sobre a parte política”, informou o coronel.
Atentado tem repercussão nacional e autoridades pedem investigação da PF
A repercussão acerca do atentado contra o vereador Cabo Deyvison e pré-candidato a deputado federal pelo PL ganhou dimensão nacional. O pré-candidato a presidente do Brasil pelo mesmo partido, o senador Flávio Bolsonaro, afirmou que o atentado contra o parlamentar é um choque, mas “não chega a ser surpresa”.
Diante da situação vivenciada pelo vereador, e tomando como parâmetro o armamento utilizado, o senador disse: “é por isso que a classificação dessas organizações como terroristas é uma necessidade urgente.” Ele enfatiza que enquanto o Estado insistir em “tratá-la (a organização) como problema de segurança pública, elas continuarão agindo como exércitos paralelos.”
Ainda diante da repercussão nacional, o deputado federal Gilberto Silva (PL/BA) postou em suas redes sociais: “vereador e assessor são vítimas de ataques, o que eles fizeram para ‘merecer’ isso? Enfrentaram o crime de frente. Coisa que o Governo se recusa a fazer.”
No âmbito estadual, os três pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte publicaram nota de repúdio contra o atentado ao vereador mossoroense. Cadu Xavier, Allyson Bezerra e Álvaro Dias condenaram a ação. Álvaro esteve em Mossoró ainda na noite da segunda-feira para prestar solidariedade ao pré-candidato a deputado federal. Ele estava ao lado do empresário Jorge do Rosário, presidente local do PL.
A governadora Fátima Bezerra também se pronunciou sobre o caso. Ela disse que, ainda na noite da segunda-feira, determinou atuação imediata das forças policiais do RN na apuração do crime e enfatizou que cancelou participação em um evento na cidade de João Câmara e realizou uma reunião on-line com toda a cúpula da Secretaria de Segurança.
O PL de Mossoró quer a entrada da Polícia Federal na investigação e o ex-vereador Cabo Tony enfatizou que a PF tem como investigar o caso, já que envolve uma autoridade política.
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