Dívida Consolidada Líquida saltou de R$ 233.266.818,17em 2020 para R$ 693.205.172,53 em 2026 e que se somam a quase R$ 9 milhões em despesas liquidadas sem pagamento. Os números constam nos relatórios enviado pela Prefeitura para o Tribunal de Contas
Allyson Bezerra quando era prefeito de Mossoró
Por Edilson Damasceno / Jornal de Fato
O ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) deixou o município de Mossoró bem mais endividado do que recebeu. Quando renunciou ao mandato para ser candidato a governador do Rio Grande do Norte, em março deste ano, ele deixou acumulada uma dívida consolidada líquida de quase R$ 700 milhões.
Os números foram revelados pelo jornalista Jairton Medeiros, do Diário do RN, com base nos relatórios fiscais enviados pela Prefeitura de Mossoró ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com a reportagem, Allyson saiu do cargo com o quadrimestre de 2026 atolado em uma Dívida Consolidada Líquida de R$ 693.205.172,53 e que se somam a quase R$ 9 milhões em despesas liquidadas sem pagamento.
Para especialistas em contas públicas, o ex-prefeito deixou a Prefeitura da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte praticamente inadministrável sob o ponto de vista financeiro, e sem condições alguma de realizar obras, continuar investimentos ou apontar alguma coisa para o crescimento econômico.
No material veiculado no jornal Diário do RN, Jairton Medeiros aponta para algo que vai render: “Os números ganham relevância por retratarem justamente o cenário fiscal deixado pela gestão que pretende utilizar a experiência administrativa em Mossoró como principal credencial para governar o Estado”, escreveu o jornalista.
Essa questão ganha um contorno maior em virtude dos números que Allyson Bezerra teve acesso tão logo assumiu a Prefeitura de Mossoró. De acordo com os relatórios fiscais que estão no TCE, em 2020 a Prefeitura de Mossoró apresentou uma Dívida Consolidada Líquida de R$ 233.266.818,17. A passagem dele pela Prefeitura aumentou a dívida em R$ 459.983.354,36.
No crescimento numérico negativo para Mossoró, Allyson Bezerra, em 2022, já apresentou sinais matemáticos de que não estava para brincadeira. Tanto que o passivo alcançou um patamar de R$ 314.003.834,12. Ainda segundo o material escrito pelo jornalista Jairton Medeiros, no ano seguinte a dívida teve seu maior salto da série e chegou a R$ 580.716.711,07.
Em 2024, ano em que se reelegeu prefeito, Allyson Bezerra conseguiu reduzir a dívida em R$ 71 milhões e encerrou o ano com R$ 509.275.986,68 negativos. Reeleito, não conseguiu manter a queda da dívida e aumentou o débito em 2025 para R$ 588.638.132,76. Antes de sair da Prefeitura de Mossoró, no quadrimestre de 2026, o passivo alcançou R$ 693.205.172,53, o maior valor registrado na série.
Em termos percentuais, a gestão Allyson Bezerra elevou a dívida pública em 197,2%. “Na prática, isso significa que o município encerra o período com uma dívida quase três vezes maior do que a existente antes do início da atual gestão”, enfatizou o jornalista Jairton Medeiros.
Ao comparar o período entre dezembro de 2025 a abril de 2026, as informações enviadas ao Tribunal de Contas do Estado mostram que a dívida aumentou R$ 104.567.039,77, representando um incremento de 17,8% em apenas quatro meses. Esse resultado, disse o jornalista Jairton Medeiros, relacionado à dúvida de pouco mais de R$ 700 milhões, representando uma obrigação a longo prazo que a Prefeitura de Mossoró tem que arcar, direciona a segunda maior cidade para um “patamar inédito para as finanças municipais.” Negativo, frise-se.
Ex-prefeito deixou mais de R$ 8 milhões em dívidas sem quitação
Além dos valores da Dívida Consolidada Líquida, o jornalista Jairton Medeiros aponta que é preciso que se fique atento à diferença entre as despesas liquidadas e os pagamentos efetivamente realizados pela Prefeitura.
“Segundo o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) referente ao primeiro quadrimestre de 2026, a administração municipal liquidou R$ 313.585.263,52 em despesas entre janeiro e abril. No mesmo período, os pagamentos somaram R$ 304.686.398,01”, publicou o jornalista no Diário do RN.
A questão está na diferença de R$ 8.898.865,51. O jornalista analisou que esse número envolveria despesas conhecidas pela administração, oficialmente falando, e que não foram quitadas ao fim do quadrimestre, quando a Prefeitura de Mossoró enviou os dados ao Tribunal de Contas do Estado.
No material que publicou no Diário do RN, Jairton Medeiros enfatiza: “os indicadores fiscais surgem em um momento de forte projeção política do ex-prefeito, que busca transformar sua passagem pela Prefeitura de Mossoró em vitrine para a disputa pelo Governo do Estado.”
E apresenta o contraponto em seguida: “enquanto aliados destacam investimentos, obras estruturantes e modernização administrativa, os relatórios oficiais mostram que a gestão termina com uma dívida pública R$ 459,9 milhões superior à registrada ao final de 2020 e com quase R$ 9 milhões em despesas liquidadas sem pagamento apenas nos quatro primeiros meses de 2026.”
Tags: