Quarta-Feira, 03 de June de 2026

Postado às 09h45 | 03 Jun 2026 | redação Operação Mederi: Polícia Federal conclui quebra de criptografia de 32 telefones

Investigadores da Polícia Federal oficiaram o gabinete do desembargador Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que a criptografia de 32 aparelhos telefônicos apreendidos na Operação Mederi foi quebrada. Conteúdo está em análise

Crédito da foto: Reprodução Operação Mederi apreendeu dinheiro em caixa de isopor

Por Dinarte Assunção / Blog do Dina

Investigadores da Polícia Federal oficiaram o gabinete do desembargador Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que a criptografia de 32 aparelhos telefônicos apreendidos na Operação Mederi foi quebrada.

A PF conseguiu acessar os dados dos telefones dos prefeitos de seis municípios envolvidos no caso, incluindo os dois aparelhos do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que é pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte pelo União Brasil. Todo o conteúdo está sob análise.

Apenas três aparelhos não tiveram a criptografia quebrada: os de Almir Mariano, que é ex-secretário de Saúde de Mossoró, e do atual prefeito Marcos Medeiros Bezerra (Republicanos).

Marcos e Mariano são da confiança do ex-prefeito Allyson e ocuparam postos de comando na Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró.

No dia que foi detonada a Operação Mederi, em 27 de janeiro de 2026, Almir Mariano teve R$ 57 mil apreendidos em dinheiro vivo na sua casa.

Em resposta à petição da Polícia Federal, o desembargador Rogério Fialho determinou que se proceda à renovação da tentativa da quebra de criptografia dos celulares do prefeito Marcos e de Almir Mariano.

Um terceiro telefone também não teve a criptografia quebrada. Ele pertence a uma mulher que, até agora, não apareceu no material da Polícia Federal a que o Blog do Dina teve acesso. Por essa razão, vamos preservar seu nome.

Desdobramentos

Conforme apurou o Blog do Dina, a Polícia Federal agora está analisando o conjunto de dados desses aparelhos sob duas óticas: evidências que reforcem as acusações já documentadas até aqui na Operação Mederi; evidências do cometimento de outros crimes praticados pelos alvos da ação.

Um telefone em especial, nesse sentido, é motivo de temor: o aparelho de Sidney Carlos de Melo, apontado pela Polícia Federal como “lobista” do esquema. Sidney é detentor de relações tão nucleares quanto as conversas gravadas no escritório da DisMed. A diferença até aqui é que não havia conhecimento de quais conversas ele mantinha em seu aparelho. Agora, a depender de até onde a Polícia Federal chegou, o telefone dele pode ser um hub do qual podem partir múltiplas evidências de possíveis crimes envolvendo ainda mais prefeituras.

Residência de Allyson Bezerra foi alvo de busca e apreensão em 27 de janeiro de 2026

Próximos passos da Polícia Federal

Com a determinação do desembargador Rogério Fialho, do TRF-5, a Polícia Federal poderá peticionar para que os telefones que não tiveram a criptografia quebrada possam ser submetidos aos serviços avançados da israelense Cellebrite.

A empresa mantém contrato com o Governo Federal para a PF. Ela fornece níveis de acesso para investigações. Foi através dos níveis avançados da Cellebrite que a PF conseguiu acessar todo o conteúdo dos oito aparelhos do banqueiro Daniel Vorcaro.

A avaliação agora é política, isto é, se a magnitude desse caso vai fazer com que a PF local consiga incluir os telefones ainda não acessados em pedidos de acesso mais avançados da Cellebrite. A Polícia Federal tem contrato com a Cellebrite que já somam R$ 23 milhões em pagamentos pelo uso da ferramenta.

Por fim, pessoas familiarizadas com o caso lembram que quando a Polícia Federal consegue acessar a íntegra de aparelhos, o conteúdo que encontra nela costuma desencadear novas operações. O próprio caso do Banco Master é um exemplo. Foi a partir do conteúdo acessado nos aparelhos de Vorcaro, que houve as operações contra o senador Ciro Nogueira e contra o pai do próprio Vorcaro.

 

PF investiga corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa

A Operação Mederi é a maior investigação de corrupção em curso no Rio Grande do Norte. Deflagrada pela Polícia Federal em 27 de janeiro de 2026, ela apura um suposto esquema de desvio de dinheiro da saúde pública que teria como pivô uma distribuidora de medicamentos — a DisMed — e como figura central o então prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

A apuração da Polícia Federal trata de cinco frentes criminais: fraude em licitações, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Allyson Bezerra é descrito nos autos como “chefe da estrutura criminosa”. A Polícia Federal já conseguiu o bloqueio de R$ 13 milhões dos investigados.

Há um motivo para tudo girar em torno de Mossoró: a cidade é o epicentro do esquema. Os contratos de Mossoró respondem por 59% do faturamento que a DisMed tinha com as seis prefeituras investigadas — e foi de Mossoró que partia o volume que sustentava a operação nas demais cidades.

Até ninguém foi indiciado ou condenado. A investigação segue em andamento, todos os citados são suspeitos e as defesas negam as irregularidades.

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