Ezequiel Ferreira de Souza, presidente do PSDB potiguar
Nas décadas de 60 e 70, a legislação eleitoral brasileira contava com a sublegenda, que permitia a um partido registrar mais de uma lista de candidatos para o mesmo cargo. O mecanismo criado pelo regime militar funcionava como um partido dentro do partido.
Naquela época, o país tinha apenas Arena e MDB, vivia o bipartidarismo, após o regime tornar extintas 13 legendas pelo Ato Institucional nº 2.
A sublegenda permitia aos partidos abraçar grupos com ideias muito diferentes e as correntes rivais disputarem o mesmo pleito sob a mesma sigla sem dividir os votos da legenda.
Essa passagem da história veio na lembrança no momento em que o PSDB do Rio Grande do Norte decidiu se dividir em dois para as eleições de 4 de outubro.
A alta cúpula do tucanato potiguar, liderada pelo presidente Ezequiel Ferreira, estabeleceu que a bancada do partido na Assembleia Legislativa vai tomar uma posição conjunta na escolha do candidato a governador, enquanto a outra banda do PSDB está livre para escolher qualquer postulante ao Governo do RN.
Está reinventada a sublegenda do bico longo (não oficial), onde as suas concorrentes de ideias diferentes podem tomar qualquer decisão em relação à sucessão estadual, sem o risco das sanções da infidelidade partidária.
Pelo andar da carruagem, a fauna da política potiguar vai assistir à metamorfose de espécie, com tucano vivendo a transformação drástica na forma estrutural, dando luz a uma cobra de várias cabeças.
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