Operação Mederi desmantelou esquema de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró
Por Edilson Damasceno / Jornal de Fato
Mossoró é o pulmão e um modelo a ser seguido. Dessa maneira que a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte aparece em relatório da Polícia Federal e que mostra o reflexo da corrupção, sendo visto por meio do espelho vivenciado e que foi descoberto por meio da Operação Mederi, deflagrada em 27 de janeiro. A operação teve como foco um esquema de pagamento de propina que teria o envolvimento do ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) e o prefeito Marcos Medeiros (Republicanos). O ar expirado por esse ambiente da corrupção teria se alastrado para outras cidades potiguares.
Essa nova adjetivação para a ramificação do esquema vivenciado em Mossoró, a partir de contratos com a empresa DisMed Distribuidora de Medicamentos, consta de publicação do Blog do Dina, do jornalista Dinarte Assunção. No material publicado ontem (20), algumas especificidades são evidenciadas. E, quando se fala em pulmão, espelho, a explicação consta na famosa expressão utilizada pelos investigados pela Operação Mederi: “Matemática de Mossoró”.
De acordo com os números divulgados pela Polícia Federal, Mossoró apresentou um rendimento considerável para a rede de corrupção criada por meio da compra de medicamentos. De 2021 a 2025, a empresa DisMed obteve um lucro de R$ 13,5 milhões. Serra do Mel, onde José Moabe (um dos sócios da DisMed) chegou a ser vice-prefeito, aparece em segundo lugar de rentabilidade: R$ 4.089.868,85 no período de 2016 a 2025. Depois aparecem José da Penha (R$ 1.510.864,59, 2016 e de 2022 a 2025), Apodi (R$ 1.330.998,80, de 2023 a 2025), Paraú (R$ 1.309.335,38, de 2018 a 2025) e Pau dos Ferros (R$ 969.489,00, em 2025).
Com base nos documentos elencados pela Polícia Federal no processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), somando-se os valores dos seis municípios, chega-se ao total de R$ 22,7 milhões. Somente os contratos firmados entre a DisMed e a Prefeitura de Mossoró representa 59% de tudo o que a empresa recebeu. Por isso que a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte é tida como espelho para o esquema.
Apesar dos números e dentre eles Mossoró se destaca, a Polícia Federal constatou que a ramificação do esquema estava em cerca de 20 municípios potiguares, dentre eles a investigação listou Tibau, Upanema, Areia Branca, Caraúbas, Felipe Guerra, São Miguel, Janduís, Apodi, Pau dos Ferros, Severiano Melo, Pendências, Marcelino Vieira, Luís Gomes, Patu e Macau.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, o contrato que a DisMed mantinha com a Prefeitura de Mossoró – entenda-se em grande escala – possibilitava que a empresa aceitasse contratos com valores menores, uma vez que o “pulmão de Mossoró” proporcionava justamente que outras Prefeituras seguissem o exemplo. A PF lista que tão situação teria acontecido em Janduís, Caraúbas e Felipe Guerra. Um dos exemplos iniciais foi a entrada de Pau dos Ferros, que aderiu à Ata de Registro de Preços elaborada pelo Conselho Municipal de Saúde de Mossoró e que se voltava à compra de medicamentos na DisMed.
Em conversa gravada pela Polícia Federal, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio-administrador da empresa, e Raimundo Wandecy Campelo Gurgel, o “Nenén”, ex-sócio da DisMed e, na época, funcionário da distribuidora, apresentavam justamente o fato de Mossoró ser uma espécie de respirador do esquema: “se não tivesse MOSSORÓ não tinha as outra”. E mais essa: “MOSSORÓ hoje se ela lhe pagasse quinhentos mil você ia achar graça no dinheiro. (…) Pronto, o pulmão enchia de ar.”
Allyson, Marcos Medeiros e assessora estariam no esquema de propina
“O homem” e “Fátima”, no processo que tem base na Operação Mederi, aparecem como beneficiários do esquema de corrupção vigente em Mossoró, no que tange aos contratos envolvendo a empresa DisMed e a Prefeitura Municipal.
A Polícia Federal investigou a fundo tais expressões e chegou à conclusão de que o “homem” era um termo que fazia referência ao então prefeito Allyson Bezerra. E “Fátima” seria Maria de Fátima Dantas dos Santos, nomeada por Allyson para, primeiramente, cargo na Secretaria Municipal de Comunicação e, depois, para o setor de Cerimonial do Palácio da Resistência.
Em uma das conversas gravadas pela Polícia Federal, Oseas Monthalggan detalha o rateio do dinheiro fruto do esquema de corrupção envolvendo a compra de medicamentos: “Vem quinhentos mil de ordem de compra, pra gente ganhar dinheiro era pra gente entregar no mínimo aí 60%, aí dos quinhentos a gente tá entregando duzentos e cinquenta pelo preço, você concorda comigo? (…) Duzentos e cinquenta você tá perdendo, dos duzentos e cinquenta vezes vinte e cinco por cento que é quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento né? A gente já está perdendo sessenta e três mil, aí dos outros duzentos e cinquenta, a gente tá usando trinta, margem de trinta por cento né?”
Desse rateio, a Polícia Federal identificou que 15% ficariam com o ex-prefeito Allyson Bezerra, além de 10% para Fátima. Além deles, o atual prefeito Marcos Medeiros seria elo principal do esquema e também seria beneficiado com algum percentual. A Prefeitura de Mossoró segue em silêncio sobre a investigação.
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