Quinta-Feira, 30 de April de 2026

Postado às 09h00 | 30 Apr 2026 | redação Malu Gaspar: Moraes atuou pela rejeição a Messias em votação que impôs revés a André Mendonça

Crédito da foto: Agência Brasil Ministro Alexandre de Moraes, do STF

Por  Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura / Globo

Além da ofensiva do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, um outro personagem operou nos bastidores pela rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, em sua fracassada campanha ao Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes.

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna com seis fontes que acompanharam de perto a movimentação dos ultimos dias, entre integrantes do STF, do Congresso e agentes do meio político e jurídico, Moraes se engajou para reforçar os pedidos de Alcolumbre na campanha pelos votos “não”, acionando emissários para mandar recados a senadores que tinham processos no Supremo ou alguma ligação com seus aliados no Congresso.

Com isso, criou uma insólita aliança, com o relator do inquérito das fake news e da trama golpista do mesmo lado da tropa de choque bolsonarista no Senado, que não se cansa de pedir a cassação do seu mandato.

Moraes foi um dos mais criticados na sabatina de Messias, mas via a eventual nomeação do indicado de Lula como um revés para si próprio. Apoiado por André Mendonça, que se esforçou pessoalmente em angariar votos entre os senadores, Messias poderia desequilibrar o jogo de forças a favor do relator do caso Master no Supremo.

Além disso, o ministro até hoje não aceitou a decisão do presidente Lula de preterir o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em favor do chefe da AGU, que ele tentou emplacar junto com Alcolumbre.

A dobradinha entre o presidente do Senado e o ministro se repetiu nesta quarta-feira, só que agora contra Messias. O fato de a derrota de Lula no Congresso favorecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro não parece ter sido considerada pela dupla.

“Alcolumbre não faz nada sem o apoio do Moraes. Mas o Moraes e Flávio Dino [desafeto antigo de Messias] acham que cada luta é uma luta, que uma coisa [a derrota de Messias] não interfere na outra [o avanço dos pedidos de impeachment]”, diz um integrante do STF ouvido em caráter reservado.

 

Correlação de forças

Ao atuar pela rejeição de Messias, Moraes não só agiu em defesa de Pacheco, mas impediu que André Mendonça ganhasse um aliado no plenário, o que poderia impactar a correlação de forças internas da Corte.

Mendonça foi um dos principais cabos eleitorais de Messias em seus cinco meses de campanha, procurando parlamentares do campo conservador para tentar reduzir a resistência ao chefe da AGU, visto por setores da oposição como um “quadro ideológico do PT” e homem de confiança de Lula. Os dois são evangélicos – Messias é da Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana.

Como relator do caso Master, caberá a ele homologar a delação premiada de Daniel Vorcaro, que pode trazer implicações para o próprio Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que fechou um contrato com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, conforme revelou o blog.

Antes de mergulhar na campanha de Messias, Mendonça já tinha irritado Moraes ao votar a favor de afastá-lo das investigações da trama golpista, acolhendo os argumentos de impedimento levantados pela defesa de Bolsonaro. O ministro votou no mesmo sentido contra Flávio Dino, que atua na órbita de Moraes e também se engajou na campanha contra Messias.

Após a derrota de Messias, que só conseguiu 34 votos favoráveis à sua indicação, Mendonça prestou solidariedade ao colega em sua conta pessoal no X: “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!"

 

Tags:

STF
ministro
Judiciário
política
Senado

voltar