Os professores da rede municipal de Mossoró aprovaram indicativo de greve, em assembleia geral realizada na tarde desta sexta-feira, 18. A categoria espera do prefeito uma proposta para cumprimento do novo piso salarial até a próxima sexta-feira, 25
Por Amina Costa / Repórter do JORNAL DE FATO
Nesta sexta-feira, 18, os professores da rede municipal de ensino se reuniram em assembleia e aprovaram o indicativo de greve da categoria, diante da falta de retorno, por parte do Executivo Municipal, de uma proposta para as reivindicações feitas pelo Sindicato dos Servidores Público Municipais de Mossoró (Sindiserpum). O indicativo de greve foi aprovado por 95,9% dos presentes.
De acordo com a assessoria do Sindiserpum, cerca de 350 professores do município participaram da assembleia, que ocorreu de forma on-line. Além da falta de proposta para o cumprimento das reivindicações, os servidores ainda cobram um posicionamento do prefeito Allyson Bezerra em relação ao pagamento do reajuste de 33,24% do piso salarial da categoria.
Diante da assembleia realizada pelo sindicato, o prefeito de Mossoró informou que receberá os servidores, na próxima quinta-feira, 24, às 14h, para discutir as propostas enviadas pelos professores. O sindicato informou que, na próxima sexta-feira, 25, após a reunião com o prefeito Allyson Bezerra, os servidores voltarão a se reunir em assembleia para avaliar a proposta feita pelo Executivo e votar o pelo início ou não da greve.
O encontro foi solicitado pelo sindicato em ofício protocolado em 15 de dezembro do ano passado. O sindicato aponta que, durante 60 dias, a gestão Allyson optou por dar as costas aos docentes e ignorar o pedido. Além da assembleia, os servidores também pressionaram o Executivo nas redes sociais.
Eliete Vieira, presidente do Sindiserpum, informou anteriormente à reportagem do JORNAL DE FATO que o servidores estão com os salários defasados por estarem há cinco anos sem receber reajustes. Além disso, a recente reforma da previdência aumentou a alíquota de 11% para 14%, prejudicando ainda mais a categoria. Ela informou ainda que o prefeito não está cumprindo com o que prometeu em campanha e que os servidores públicos estão vivenciando uma total desvalorização dos seus serviços.
A assembleia ocorrida nesta sexta-feira foi a primeira de algumas que serão promovidas pelo Sindiserpum com as categorias dos servidores públicos da cidade. De acordo com o cronograma apresentado, na segunda-feira (21), a assembleia será com os profissionais da Saúde. O sindicato informa que os profissionais também não obtiveram retorno em relação às suas reivindicações para este ano, que foram encaminhadas por meio de ofício à Prefeitura.
O evento também acontecerá em formato virtual, às 15h via Google Meet. Já na quarta-feira, 24, a assembleia ocorrerá de forma presencial, a partir das 15h, no auditório da Estação das Artes. Os convocados para essa assembleia são as demais categorias dos servidores públicos.
Na pauta consta, além do indicativo de greve, a campanha salarial, tendo em vista que até o momento a gestão não se manifestou sobre o reajuste anual também destes servidores.
“Desde dezembro que iniciamos as construções, todas foram protocoladas e estamos recebendo o silêncio como resposta, mesmo já entrando no terceiro mês do ano. Então, o servidor quer respostas aos seus anseios e as assembleias servirão para a criarmos mecanismos para fazer valer as nossas reivindicações”, comenta a presidente do Sindiserpum, Eliete Vieira.
Quanto ao pagamento do reajuste do piso salarial, Eliete Vieira informa que a preocupação do sindicato é de que o prefeito alegue ano eleitoral para o não pagamento do mesmo ou queira parcelar em várias vezes. “A nossa principal preocupação é que, quanto mais tempo sem o piso ser reajustado, mais desvalorizados nós continuamos”, informa.
“A gente tem uma grande preocupação quanto a essa demanda porque não se sabe o que o prefeito vai propor. Se ele vai seguir a reivindicação dos servidores, pagando integralmente, sem escalonar o reajuste do piso, que é de 33,24%. Tendo em vista que este é um ano eleitoral, esperamos que o prefeito não use o argumento de que não tem tempo hábil para pagar integral e nem que crie um parcelamento muito extenso, a exemplo do que foi feito com o débito de dezembro de 2020”, conclui.
Confira os pontos que serão apresentados por todas as categorias dos servidores:
- Reajuste de 33,24% do piso salarial dos professores;
- Antecipação da data-base de maio para janeiro;
- Cumprimento do piso nacional dos ACE/ACS;
- Instituição de uma comissão que vai reformular o PCCR;
- Manutenção da insalubridade;
- Retorno da insalubridade covid para todos os servidores da Saúde;
- Pagamento do retroativo do reajuste salarial 2016;
- Concurso público;
- Atualização do teto do auxílio-transporte de acordo com a lei;
- Reajuste no valor dos plantões eventuais;
- Reajuste das gratificações.
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