Por César Santos – Da Redação
Prego batido, mas ainda falta virar. Assim pode ser vista a aliança entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT). A governadora decidiu, mas falta convencer as alas radicais do partido que resistem à candidatura do pedetista ao Senado em detrimento do senador Jean Paul Prates (PT), que deseja a reeleição.
Autorizada pelo PT a coordenar o projeto eleitoral 2022 no RN, Fátima Bezerra trabalha com pragmatismo. Ela entende a importância de ter o apoio de Carlos Eduardo para potencializar a sua candidatura à reeleição em Natal, onde o ex-prefeito é considerado o político com maior densidade eleitoral. Nas eleições de 2018, quando Fátima e Carlos foram adversários na disputa pelo governo, a capital foi um dos poucos colégios em que o ex-prefeito saiu vencedor, recebendo 60,76% dos votos contra 39,42% da governadora eleita.
A opção por Carlos Eduardo obriga a governadora a enfrentar a resistência dentro do PT. Nesta semana, um dia após a Juventude do PT lançar nota pública contra a aliança com Carlos Eduardo e em defesa do senador Paul Prates, Fátima Bezerra escalou o seu chefe de Gabinete, Raimundo Alves, para responder à altura. Em entrevista a uma emissora de rádio da capital, o porta-voz afirmou que a prioridade é aliança com o ex-prefeito de Natal.
“O meu objetivo e o da governadora é trazer Carlos Eduardo para ser candidato ao Senado, sim", sentenciou, deixando claro que não há espaço na aliança para o projeto de reeleição do petista Paul Prates. Segundo ele, a prioridade do PT é a reeleição da governadora e, levando em conta essa prioridade, não é possível uma chapa exclusivamente petista. “Ele (Jean Paul Prates) era o candidato dos sonhos de todo petista, mas em um cenário em que fosse possível fazer uma discussão sozinho, por isso não é o momento de fazer uma chapa puro-sangue.”
A eventual aliança com Carlos Eduardo dificulta o entendimento com o MDB, liderado no RN pelo deputado federal Walter Alves e o ex-senador Garibaldi Filho, mas o auxiliar da governadora afirma que as conversas com o MDB, iniciadas pelo ex-presidente Lula quando esteve em Natal, continuam abertas. Ele destacou que o momento é de avançar o diálogo, construir uma aliança forte, mas que a decisão final caberá às instâncias partidárias. “Essa é uma decisão que vai passar, ainda, pelo conjunto dos partidos”, afirmou.
Silêncio
Carlos Eduardo procura se colocar distante da discussão interna do PT. Ele sabe da resistência que sofre das alas mais radicais, por isso, não quer falar nesse momento para evitar que o debate se avance para uma crise.
No entanto, foi ele que primeiro admitiu de público uma aliança com a governadora. No início de fevereiro, em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, o ex-prefeito afirmou: “É possível sim uma aliança que tenha Fátima Bezerra candidata à reeleição e eu ao Senado”.
Perguntado em que nível estavam as negociações, Carlos Eduardo respondeu:
“O que eu posso lhe dizer é que a governadora está conversando internamente com o partido dela. As conversas realmente avançaram e afirmo que é realmente uma aliança política tendo ela como candidata à reeleição e eu como candidato ao Senado.”
MDB, do deputado Walter Alves, e PSDB podem se unir na oposição
A provável aliança de Fátima Bezerra e Carlos Eduardo não foi digerida pelo MDB, uma vez que afasta a possibilidade de o partido indicar o seu presidente estadual, deputado federal Walter Alves, para a vaga de vice-governador. Primo de Carlos Eduardo, Walter seria mais um membro da tradicional família Alves na chapa governista, o que supostamente traria desgaste.
O chefe de Gabinete Raimundo Alves, porta-voz da governadora, afirmou que uma possível aliança com o MDB não passaria obrigatoriamente com indicação de Walter para chapa majoritária, e que a participação emedebista poderia ser em um eventual segundo governo do PT com ocupação de cargos.
O ex-senador Garibaldi Filho reagiu. “Não estamos à procura de cargos, estamos à procura de uma afirmação na política do Rio Grande do Norte. De uma participação robusta, ou seja, na própria chapa”, disse em entrevista ao Blog do Dina, nesta quinta-feira, 16.
Por gravidade, o MDB ampliou a possibilidade de aliança com o PSDB, do presidente da Assembleia Legislativa e visto como provável candidato a governador, Ezequiel Ferreira de Souza. Recentemente, Walter Alves disse que o MDB está aberto para conversar com todos os partidos que tenham projeto para o RN.
Ezequiel Ferreira ainda não se manifestou, de público, sobre candidatura a governador, mas já deixou claro que não estará no palanque de Fátima, uma vez que apoiará o ministro bolsonarista Rogério Marinho (PL), adversário da governadora, ao Senado da República.
Tags: