Sábado, 11 de julho de 2026

Postado às 21h00 | 11 jul 2026 | redação Mossoró concentra 10.49% da população em situação de rua do Rio Grande do Norte

Em 2020, a cidade tinha uma população em situação de rua de 200 pessoas; em 2025, o número subiu para 351, segundo dados do Conselho Nacional do Ministério Público. O contingente de Mossoró representa 10.49% da população de rua do Rio Grande do Norte

Crédito da foto: Jornal de Fato Pessoa em situação de rua na Praça da Catedral, centro de Mossoró

Da Redação do Jornal de Fato

Não é só impressão que o centro de Mossoró tem uma ocupação maior de pessoas em situação de rua. De fato, o contingente de moradores nessa condição cresceu expressivamente nos últimos cinco anos. Em 2020, a cidade tinha uma população em situação de rua de 200 pessoas; em 2025, o número subiu para 351, segundo dados do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O contingente de Mossoró representa 10.49% da população de rua do Rio Grande do Norte. A maior concentração encontra-se em Natal, com 2.103 pessoas (62,87%). Em terceiro aparece Parnamirim com 288 pessoas (8,61%).

Um levantamento realizado em 2025 pelo município revelou que mais da metade das pessoas que moram nas ruas de Mossoró são oriundas de outras cidades e até de outros estados. São pessoas que perderam referências em sua terra de origem ou que não conseguiram sobreviver onde estavam, resolvendo buscar melhor sorte em um centro maior.

Apesar desse diagnóstico, não há um trabalho efetivo de acolhimento dessas pessoas. A Secretaria Municipal de Assistência Social, quando fez a pesquisa no ano passado, afirmou que havia um trabalho no setor por meio do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). A ação oferece acolhimento, alimentação, regularização de documentos e atividades socioeducativas.

O cenário no centro de Mossoró, porém, desafia a versão oficial. As pessoas que estão em situação de rua sentem a ausência de políticas públicas, e o sofrimento é amenizado por iniciativas de entidades sociais e até individuais. É possível registrar diariamente pessoas e entidades servindo janta, café da manhã e doando roupas e lençóis.

Perfil

A pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público revela que o contingente de pessoas em situação de rua no RN teve um crescimento de 134,1% nos últimos cinco anos, chegando a 3.345 em 2025. O crescimento registrado no estado supera a média nacional, que foi de 97,4% no mesmo período.

O Rio Grande do Norte passou a ocupar a quinta posição entre os estados do Nordeste com maior número de pessoas vivendo nas ruas.

De acordo com o levantamento, o perfil das pessoas em situação de rua é marcado por extremas desigualdades sociais e raciais. Homens correspondem a 89% do total, e pessoas negras representam 80,4% dos registros. A maioria tem entre 40 e 59 anos, faixa etária que reúne 52,7% dessa população.

Segundo o estudo do CNMP, 41,9% das pessoas em situação de rua não concluíram o Ensino Fundamental e 26,8% não possuem qualquer grau de instrução formal. Esse dado da pesquisa justifica a falta de oportunidade para que esse contingente retome a vida em sociedade. Com grau de escolaridade praticamente inexistente, essas pessoas enfrentam enorme dificuldade para se inserirem no mercado de trabalho.

 

Pessoas em situação de rua no RN

- Estado: 3.345 pessoas

- Natal: 2.103 pessoas (62,9%)

- Mossoró: 351 pessoas (10,49%)

- Parnamirim: 288 pessoas (8,61%).

- Os demais municípios do estado apresentam percentuais inferiores a 1% cada

 

Perfil

- Gênero: 89% são homens

- Raça: 80,4% são pessoas negras

- Faixa Etária: 52,7% têm entre 40 e 59 anos

- Escolaridade: 41,9% possuem Ensino Fundamental incompleto e 26,8% não têm instrução formal

(*) Fonte: CNMP

Brasil tem mais de 391 mil pessoas vivendo em situação de rua

Dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) revelam que a população em situação de rua no Brasil praticamente dobrou entre 2022 a 2026.  Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil pessoas em situação de rua em todo o país. Em junho de 2026, o número chegou a 392,4 mil – um crescimento de 97,4%, com 193,6 mil pessoas a mais.

O CadÚnico é a principal base de dados federal usada para registrar famílias e pessoas em situação de rua no Brasil. Em média, a base passou a registrar cerca de 4,6 mil pessoas a mais por mês nessa condição.

Entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, o CadÚnico havia incorporado, em média, cerca de 2 mil moradores de rua a mais por mês em sua base. O salto começou em 2022, no período de saída da pandemia, mas manteve-se alto em 2023 e 2024 e voltou a ganhar força especialmente no primeiro semestre de 2026.

Esse comportamento enfraquece a hipótese, levantada por especialistas, de que a alta de 2023, seria explicada principalmente por cadastros represados durante a pandemia. A ideia era que a crise sanitária poderia ter atrasado registros de pessoas em situação de rua, provocando uma explosão temporária nos anos seguintes.

 

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