Sexta-Feira, 29 de May de 2026

Postado às 09h45 | 29 May 2026 | redação Projetos do Centro Feminista beneficiam comunidades rurais e grupos de mulheres

Crédito da foto: Divulgação Encontro realizado pelo Centro Feminista 8 de Março

O Centro Feminista 8 de Março realizou o encerramento e prestação de contas do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) no território Açu-Mossoró. A iniciativa, da Articulação Semiárido Brasileiro, foi executada no Rio Grande do Norte pelo CF8 em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), por meio do Termo de Colaboração nº 944934/2023, integrando um conjunto de investimentos em ações de convivência com o Semiárido no território Açu-Mossoró que, ao longo dos últimos anos, ultrapassam R$ 2,6 milhões.

O Programa consolidou importantes resultados na promoção da convivência com o Semiárido, fortalecendo a segurança hídrica, alimentar e produtiva de famílias agricultoras da região. Ao todo, foram atendidas 34 comunidades rurais nos municípios de Mossoró e Assú, beneficiando diretamente 180 famílias agricultoras com tecnologias sociais de acesso à água e incentivo à produção rural sustentável.

O P1+2 executado pelo CF8 garantiu a implantação de 180 tecnologias sociais de acesso à água para produção. Desse total, 127 foram cisternas calçadão, 48 cisternas enxurrada e 5 Sistemas de Reuso de Águas Cinzas (RAC) com fossas ecológicas. As tecnologias permitem o reaproveitamento da água doméstica e fortalecem a produção de alimentos, a criação animal e a permanência digna das famílias em seus territórios, especialmente diante dos impactos da crise climática e do avanço da desertificação no Semiárido.

A execução do P1+2 também esteve articulada ao Programa Fomento Rural, do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (SEDRAF), garantindo a transferência financeira não reembolsável de R$ 4,6 mil para cada família beneficiada. Com os recursos, foram implementados 163 projetos produtivos voltados à geração de renda e fortalecimento dos quintais produtivos, incluindo 62 aviários, 54 apriscos, 11 pocilgas, 6 pomares, hortas, forrageiras, cercas, comércio local, lanchonetes e melhorias estruturais para criação animal.

Além da implantação das tecnologias, o P1+2 investiu fortemente na formação e acompanhamento das famílias. Foram realizados 131 dias de visitas técnicas, 13 intercâmbios, 11 turmas de Gerenciamento da Água para Produção de Alimentos (GAPA), 8 turmas de Sistema Simplificado de Manejo da Água (SISMA), encontros territoriais, capacitações municipais e formação de cisterneiras.

“É daqui, da Caatinga, que a gente consegue sobreviver e resistir. A gente sabe que a falta de água nas nossas comunidades é grande, a gente sabe que, muitas vezes, não tem como permanecer. Mas temos a resistência de estar lá, e isso é fruto do processo em que nos organizamos para permanecer”, destacou Neneide Lima, agricultora, beneficiária do P1+2 e Liderança da cooperativa Xique Xique.

Caatinga Viva Pelas Mãos das Mulheres

O P1+2 integra a trajetória histórica da ASA na democratização do acesso à água no Semiárido brasileiro em parceria com as instituições nacionais. A iniciativa amplia estoques de água para produção de alimentos, consumo humano e criação animal, contribuindo diretamente para a soberania alimentar, autonomia produtiva e fortalecimento da agricultura familiar.

A atividade também marcou o encerramento do projeto “Caatinga Viva Pelas Mãos das Mulheres” e promoveu a mesa de debate “Caatinga Viva: construindo alternativas para o Semiárido”, reafirmando a importância da agroecologia, das tecnologias sociais e do protagonismo das mulheres rurais na construção de um Semiárido vivo, sustentável e resistente.

Com duração de quatro anos e meio, o projeto foi desenvolvido no Rio Grande do Norte e na Paraíba, envolvendo 20 organizações de mulheres. Ao todo, cerca de 400 mulheres tiveram acesso aos editais voltados ao fortalecimento de atividades socioambientais e à campanha “Plante Uma Muda Nativa na Caatinga”.

No RN, as ações contemplaram os municípios de Apodi, Ipanguaçu, Mossoró, Janduís, Paraú, João Câmara, Assú, Touros, Bom Jesus e Natal, com iniciativas voltadas à apicultura, quintais produtivos, energia solar, biodigestor (como tecnologia social sustentável), artesanato, extrativismo e produção coletiva de hortaliças.

Cada grupo recebeu, em média, um investimento de R$ 22 mil, totalizando mais de R$ 400 mil aplicados no fortalecimento das iniciativas desenvolvidas pelas mulheres.

O projeto também promoveu atividades de formação, intercâmbios, incidência sobre a pauta ambiental e o enfrentamento à desertificação do bioma, além de ações educativas em escolas e universidades públicas. Cerca de 500 estudantes foram alcançados pela campanha “Plante Uma Muda Nativa”, que também realizou a distribuição de mudas nativas da Caatinga.

Como produto final, foi lançada uma websérie com oito episódios abordando temas como sementes crioulas, apicultura, acesso à água, energia limpa e economia solidária.

Para o CF8, a execução e a conclusão dos dois projetos reafirmam o compromisso da organização com o desenvolvimento sustentável, a agroecologia e a convivência com o Semiárido, fortalecendo comunidades rurais por meio de tecnologias sociais, formação popular e geração de oportunidades para as famílias agricultoras.

 

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