Quarta-Feira, 14 de outubro de 2026

Postado às 09h45 | 14 out 2026 | redação Quedas levam quase 200 crianças a atendimentos no Rio Grande do Norte em 2026

Crédito da foto: Ilustrativa Algumas ocorrências podem resultar em lesões que exigem avaliação médica

Da Redação do Jornal de Fato

Quedas estão entre os acidentes que podem ocorrer durante diferentes fases do desenvolvimento infantil e fazem parte de situações comuns da rotina, como brincadeiras, deslocamentos e atividades recreativas. Embora muitas ocorrências não provoquem consequências graves, algumas podem resultar em lesões que exigem avaliação médica.

Informações do Ministério da Saúde, registradas nos sistemas SIASUS e SIHSUS, mostram a dimensão das quedas envolvendo crianças de zero a 11 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, foram registrados 108.110 atendimentos ambulatoriais e 43.900 internações em decorrência desses acidentes no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, foram 68.761 atendimentos ambulatoriais e 24.696 internações.

No Rio Grande do Norte, foram 179 atendimentos ambulatoriais e 651 internações de crianças de zero a 11 anos em decorrência de quedas em 2025. Nos primeiros sete meses de 2026, o estado contabilizou 135 atendimentos ambulatoriais e 260 internações.

Segundo a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), prof.ª doutora Andrea Fraga, a ocorrência de uma lesão após uma queda está relacionada a diferentes circunstâncias do acidente, que precisam ser consideradas na avaliação da criança.

“Uma queda que parece simples pode provocar diferentes tipos de lesão, dependendo da altura, da superfície do impacto, da posição em que a criança caiu e da região do corpo atingida. Por isso, é importante observar não apenas a ocorrência da queda, mas também as circunstâncias do acidente, conhecido como a cinemática do trauma e os sinais apresentados pela criança depois”, explica.

As circunstâncias das quedas variam de acordo com a idade e com as atividades realizadas pela criança. Nos primeiros anos de vida, a exploração dos ambientes ocorre ao mesmo tempo em que habilidades como equilíbrio, coordenação motora e percepção de risco ainda estão em desenvolvimento.

Entre as crianças menores de cinco anos, as quedas podem ocorrer de diferentes alturas, como do colo, trocador, carrinho, andador, cadeirão, cama, sofá, escadas, janelas e equipamentos de playground. Também podem acontecer da própria altura, em situações como tropeços, desequilíbrios ou pisadas em falso.

A partir dos cinco anos, as situações relacionadas às quedas podem estar mais associadas a brincadeiras, atividades recreativas e práticas esportivas, acompanhando a ampliação da autonomia e da participação da criança em diferentes ambientes.

“Na infância, uma queda não deve ser avaliada apenas pela altura. A superfície onde ocorreu o impacto e a posição em que a criança atingiu o solo também são fatores importantes. Uma queda na areia ou na grama, por exemplo, apresenta características diferentes de uma queda sobre uma superfície rígida, como pedra ou cerâmica. Uma atenção especial tem que ser dada ao trauma crânio encefálico em menores de um ano, pois a cabeça representa nessa idade uma superfície corpórea muito grande e, portanto, os riscos de lesões são maiores”, destaca doutora Andrea.

Adaptação

A prevenção passa pela identificação de situações de risco de acordo com a idade da criança e pelos cuidados adotados nos ambientes onde ela circula. Dentro de casa, bebês não devem ser deixados sozinhos sobre trocadores, camas ou sofás. Além disso, dispositivos de segurança devem ser utilizados de forma adequada em carrinhos, bebê-conforto e cadeirões.

“Prevenção não significa impedir que a criança explore o ambiente, brinque ou desenvolva sua autonomia. O objetivo é tornar esses espaços mais seguros para cada fase do desenvolvimento. Pequenas adaptações em casa e a supervisão adequada podem reduzir situações de risco”, ressalta a doutora.

Berços e móveis devem permanecer afastados de janelas. Grades, redes e portões de segurança podem ajudar a restringir o acesso a janelas, varandas e escadas. Áreas como lajes e terraços também precisam permanecer inacessíveis enquanto não houver proteção adequada.

A organização dos espaços é outro fator que pode contribuir para reduzir riscos. Manter áreas de circulação livres, utilizar tapetes antiderrapantes quando necessário, bloquear o acesso a locais perigosos e guardar brinquedos após o uso são medidas que ajudam a evitar situações de queda. Em atividades esportivas e recreativas, equipamentos de proteção adequados à modalidade e supervisão também são importantes.

 

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