Mártires de Cunhaú e Uruaçu em São Gonçalo do Amarante
Da Redação do Jornal de Fato
O Rio Grande do Norte celebra neste sábado, 3, o Dia dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. A data recorda a morte de fiéis católicos durante o período das invasões holandesas no século XVII. A Igreja Católica lembra dois massacres ocorridos em 1645 na antiga capitania do Rio Grande. O dia é feriado estadual, com repartições públicas fechadas (exceto serviços essenciais) e setores da economia funcionando em horários especiais (veja box nessa página).
Em 1645, sob o domínio holandês no Nordeste, dois episódios trágicos marcaram a região do Rio Grande do Norte. No dia 16 de julho, fiéis reunidos em missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú (município de Canguaretama), foram fechados na igreja e brutalmente assassinados por tropas calvinistas comandadas por Jacó Rabe.
Meses depois, em 3 de outubro, repetiu-se o ataque em Uruaçu, município de São Gonçalo do Amarante, distante 18 quilômetros de Natal. Entre as vítimas estava o padre Ambrósio Francisco Ferro, além do leigo Mateus Moreira e diversos fiéis. Segundo relatos, Mateus teria clamado “Louvado seja o Santíssimo Sacramento” no momento de seu martírio.
Nos dois episódios, 28 leigos e dois padres foram assassinados, entre eles André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira.
Os ataques aconteceram em meio a um período de ocupação holandesa no Nordeste, quando a presença portuguesa e católica no território gerava conflitos com os invasores. Os fiéis mortos se recusaram a renunciar à fé católica, o que levou à execução em ambos os locais.
O grupo foi reconhecido pela Igreja Católica como mártires da fé. Em 2000, o Papa João Paulo II declarou a beatificação dos Protomártires do Brasil. A beatificação é o reconhecimento de que os mortos morreram por fidelidade à fé.
Em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco canonizou os padres André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, o leigo Mateus Moreira e seus companheiros, tornando-os oficialmente os primeiros mártires do Brasil.
No Rio Grande do Norte, o feriado estadual foi instituído para lembrar os episódios históricos. A data é marcada por missas, romarias e eventos religiosos organizados pela Arquidiocese de Natal, que promove celebrações em Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, locais dos massacres.
A escolha do dia 3 de outubro se refere ao segundo episódio, em Uruaçu, e também funciona como momento de preservação da memória histórica e religiosa do estado. Além do reconhecimento religioso, os martírios são considerados parte do patrimônio histórico do Rio Grande do Norte.
Santos Mártires
Existe no Rio Grande do Norte o Caminho dos Santos Mártires do Brasil, uma rota de peregrinação que conecta localidades históricas que guardam a memória desses testemunhos de fé. Com aproximadamente 300 km e 11 municípios envolvidos, o roteiro passa por Canguaretama, Espírito Santo, Arez, Georgino Avelino, São José de Mipibu, Nísia Floresta, Parnamirim, Natal, Extremoz, Macaíba e São Gonçalo do Amarante.
O Caminho combina espiritualidade, cultura, natureza e história, oferecendo ao peregrino vivências reflexivas, momentos de oração e contato com o patrimônio regional.
A memória dos mártires se converte em instrumento de valorização do turismo religioso, fortalecendo a identidade cultural e espiritual das comunidades envolvidas. O roteiro serve como vetor de desenvolvimento territorial, atraindo peregrinos e visitantes que buscam vivenciar os relatos de fé e resiliência.
Feriado em Mossoró
- Comércio de rua e lojas de centro: funcionamento das 8h às 14h, com pagamento de diária em dobro para os empregados escalados.
- Supermercados: Funcionamento das 7h às 20h.
- Partage Shopping: Lojas, das 14h às 20h; praça de alimentação, das 11h às 22h.
- Órgão públicos: Funcionamento especial e de urgência e emergência
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