Sexta-Feira, 17 de julho de 2026

Postado às 09h00 | 17 jul 2026 | redação Fora da lista dos EUA, mercado pesqueiro do Rio Grande do Norte está aliviado

Crédito da foto: Reprodução Areia Branca é o maior produtor de Atum do Rio Grande do Norte

Da Redação do Jornal de Fato

Um dos principais setores exportadores do Rio Grande do Norte ficou fora do novo tarifaço dos Estados Unidos. O pescado não está na lista dos produtos importados do Brasil que o governo do presidente Donald Trump impõe uma tarifa de 25%. Diversos outros segmentos da economia potiguar e brasileira foram alcançados pela medida anunciada por Washington.

O novo tarifaço americano, que tem início na próxima terça-feira, 22, isentou mais de 2.100 produtos brasileiros. Ficaram de fora da taxação os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, como petróleo bruto, café em grão, carne bovina, aeronaves e celulose branqueada. As exceções preservam itens considerados estratégicos para a economia norte-americana, entre eles o atum e a lagosta.

O Rio Grande do Norte é um dos principais polos exportadores de atum do país e tem nos Estados Unidos um dos seus mercados mais importantes. O mercado pesqueiro potiguar vinha acompanhando com preocupação o desenrolar das negociações entre os dois países e comemorou com alívio.

Empresários, armadores e trabalhadores da cadeia produtiva da pesca temiam a inclusão do atum na lista de produtos taxados. Em caso de taxação, o impacto comprometeria ainda mais o segmento, que já havia sido afetado no primeiro pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos.

O presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), Arimar França, ouvido pelo site bnewsrn.com.br, disse que a exclusão dos pescados representa uma importante vitória para o setor.

“No primeiro tarifaço a gente conseguiu segurar, foi dado férias, mas já houve demissões e empresas fecharam as portas. Filiadas ao nosso sindicato, havia 17 empresas, hoje tem 15”, disse. Mas tem outras empresas que são voltadas para o consumo interno, que não são filiadas ao sindicato. Mas a gente tem sentido esse forte problema em toda a cadeia. Tanto na parte de pesca industrial como na pesca artesanal", relatou.

O dirigente observou que não são apenas as indústrias exportadoras que dependem do mercado internacional. Ele inseriu pescadores artesanais, trabalhadores dos entrepostos, transportadores e fornecedores.

A manutenção desses produtos fora da nova cobrança foi considerada estratégica pelos Estados Unidos, que dependem parcialmente da importação de diversos alimentos e matérias-primas para abastecer seu mercado interno.

 

Lista completa dos pescados que ficaram isentos da tarifa

- Atuns de barbatana-amarela (albacora-laje), frescos ou refrigerados;

- Atuns de olho-grande (atum patudo), frescos ou refrigerados;

- Cavalas, frescas ou refrigeradas;

- Peixe-espada, fresco ou refrigerado;

- Tilápias, frescas ou refrigeradas (até 6,8 kg);

- Tilápias, frescas ou refrigeradas (acima de 6,8 kg);

- Outros peixes, não especificados nem incluídos em outras categorias, frescos ou refrigerados;

- Tilápias congeladas;

- Peixes-rei, brosmio, pollaca, savelha, esturjão, peixe Atka e outros, congelados;

- Filés de tilápia, frescos ou refrigerados;

- Lagostas-espinhosas e outros lagostins marinhos, congelados.

 

Produtos brasileiros que também escaparam da sobretaxa

- Carne bovina;

- Café;

- Laranja;

- Suco de laranja;

- Petróleo;

- Celulose;

- Componentes utilizados na fabricação de aeronaves;

- Outros produtos considerados essenciais para o abastecimento do mercado americano.

 

Brasil diz que não há justificativas para tarifas

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A medida estadunidense é sustentada em investigações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

A nota, assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, destaca que o Brasil não reconhece a legitimidade dessas investigações, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio. E acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil. “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.

A nota diz ainda que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada "imediatamente", além de instrumentos para solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo USTR estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Em sua defesa, no entanto, o governo brasileiro diz que as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais são descabidas. “Bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, informa a nota.

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