Encontro de Indicações Geográficas do Rio Grande do Norte e da Paraíba
Por Diego Vale
Produtores potiguares têm apostado cada vez mais na Indicação Geográfica (IG) e no movimento Feito Potiguar como estratégias para ampliar mercados, agregar valor e fortalecer a identidade dos produtos regionais. O tema foi destaque durante o Encontro de Indicações Geográficas do Rio Grande do Norte e da Paraíba, realizado na tarde dessa quinta-feira (23), na Casa do Artesão do Seridó, em Caicó.
Promovido pelo Sebrae RN em parceria com o Sebrae PB, o encontro reuniu produtores, representantes de associações, especialistas e gestores públicos para discutir caminhos de fortalecimento das IGs e sua conexão com iniciativas de valorização territorial, como o Feito Potiguar.
A analista do Sebrae RN e gestora estadual do projeto de Indicações Geográficas, Michelli Trigueiro, destacou que o evento surgiu da necessidade de integrar experiências e fortalecer as governanças dos dois estados. “Essa foi uma iniciativa conjunta que nasceu do desejo de compartilhar experiências, tanto de quem já tem o selo quanto de quem ainda está em processo. As governanças precisam se conhecer, trocar vivências e entender que podem formar uma rede forte de colaboração”, afirmou.
Segundo Michelli, as IGs têm forte presença no setor alimentício, impulsionadas pelo agronegócio e por características únicas dos territórios. “São produtos que carregam reputação, tradição e uma influência direta do meio geográfico no sabor. Isso é o que dá força à indicação geográfica e ao valor que ela agrega no mercado”, explicou a analista do Sebrae.
No Rio Grande do Norte, a trajetória das IGs já apresenta exemplos consolidados e em expansão. A mais antiga delas, o Melão de Mossoró, demonstra como o reconhecimento pode impulsionar a presença no mercado internacional.
De acordo com o presidente do Comitê Executivo de Exportação do RN (COEX), Fábio Martins de Queiroga, o selo de IG veio para consolidar décadas de trabalho. “O melão já tem reconhecimento internacional, e a IG documenta e fortalece esse valor. Hoje exportamos para diversos países da Europa, além de Estados Unidos, Canadá e Oriente Médio, e já estamos credenciados para a China”, destacou.
Fábio Martins também ressaltou a importância do movimento Feito Potiguar nesse processo. Algumas empresas do setor já aderiram à iniciativa e buscam ampliar sua atuação no mercado nacional, especialmente no eixo Rio-São Paulo. “Agora o desafio é fortalecer a ponta comercial para transformar esse reconhecimento em resultado”, afirmou o produtor de melão.

João Marcos, presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Castanha de Caju.
Outro exemplo recente é a IG da Castanha de Caju da Serra do Mel, conquistada em novembro de 2025. Para o presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Castanha de Caju, João Marcos, o selo representa uma vitória coletiva. “Foram mais de três anos de trabalho para comprovar nossa tradição. A IG veio para proteger o produto e diferenciar os produtores da região”, explicou.
Segundo João Marcos, a castanha já era reconhecida pela qualidade, mas sofria com o uso indevido do nome por produtores de outras localidades. “A indicação de procedência foi a forma de garantir essa identidade. Agora, o desafio é fortalecer a associação e ampliar a participação dos produtores”, completou. Assim como o melão, produtos da Serra do Mel também começam a se inserir no Feito Potiguar.
Entre os produtos em processo de reconhecimento, o queijo de manteiga artesanal do Seridó se destaca não apenas pela busca da IG, mas também pela qualidade já comprovada em premiações nacionais.
Durante o encontro, o produtor Lucenildo Firmino de Souza recebeu a medalha Super Ouro do 4º Mundial do Queijo do Brasil, maior distinção da competição. A conquista reforça o potencial do produto e sua conexão com o território.
“Esse prêmio não é só meu, é de todos os produtores do Seridó. É um reconhecimento do nosso trabalho, feito com dedicação e foco na qualidade”, afirmou. Integrante da Associação dos Produtores de Queijo do Seridó (Amaqueijo), Galego também faz parte do movimento Feito Potiguar, que tem ampliado a visibilidade dos produtos regionais.
Tags: