Técnico Renato Gaúcho
Por João Guerra — ge
A noite deste domingo protagonizou mais um vexame para extensa lista do Vasco nos últimos anos. Não só dentro de campo com uma derrota categórica por 3 a 0 para o Bragantino, mas também na sala de coletiva depois do jogo, com a ausência do treinador empregado para dar explicações à torcida. E trouxe de volta o assunto que o torcedor não aguenta mais: a zona de rebaixamento.
O time paulista passeou em São Januário. E a sensação é de que o placar ainda foi pouco elástico. O domínio do Bragantino, diga-se, não foi apenas técnico, mas sobretudo físico. Desde os primeiros minutos, o time de Vagner Mancini levou vantagem a partir da pressão alta, das transições em velocidade e também nos duelos aéreos.
A equipe de Renato Gaúcho apresentava muita dificuldade para quebrar as linhas de marcação do adversário e assistiu ao Bragantino dominar as ações no meio-campo. Os visitantes exploravam, sobretudo, o lado direito da defesa do Vasco, com João Vitor Mutano e Saldivia, e conectavam as principais jogadas com Henry Mosquera pelo setor.
Os erros individuais do Vasco, no entanto, foram — mais uma vez — o ponto-chave para o resultado negativo. Lucas Piton foi decisivo com corte errado de cabeça para originar o gol de Rodriguinho; João Vitor Mutano foi facilmente driblado por Mosquera, que cruzou para Pitta antecipar Saldivia para ampliar. E, por fim, o uruguaio ainda protagonizaria mais uma falha grotesca, com recuo errado para Léo Jardim, que foi driblado por Fernando para fechar o caixão.
O placar ainda poderia ter sido mais elástico, não fosse o pênalti desperdiçado por Eduardo Sasha — e traduziu com fidelidade o que se viu em campo do começo ao fim. De um lado, uma equipe em ascensão, embalada e agora próxima do G-4 do Campeonato Brasileiro; do outro, um time esfacelado no aspecto mental e sucumbido diante da própria torcida em São Januário.
Foi o terceiro revés consecutivo, o quarto compromisso sem triunfo e o 12º gol sofrido pela equipe nos últimos quatro jogos. As vaias da torcida do Vasco dizem tanto quanto o placar. O time comandado por Renato segue em queda na tabela e, com apenas 33,3% de aproveitamento nas últimas nove partidas da Série A, volta a conviver com o risco de encerrar o turno dentro da zona de rebaixamento. Um cenário que já se tornou frequente.
A injustificável ausência de Renato
A ausência de Renato Gaúcho na entrevista coletiva foi um episódio à parte. A postura de um líder de um grupo de jogadores deveria ser explicar, ou ao menos tentar, ao torcedor os motivos para uma derrota vexatória em sua casa.
Renato ficou no vestiário. Em uma decisão conjunta entre diretoria e jogadores, o diretor Admar Lopes e o capitão Thiago Mendes foram à sala de coletiva para dar as explicações. Uma situação que expôs o jogador a ser questionado sobre o desempenho de seus companheiros de time, e colocou o diretor a negar que falaria sobre questões táticas ou escolhas do treinador para uma derrota que ficou barata em São Januário.
O técnico está longe de ser o único culpado. No entanto, um de seus principais escudos para justificar o trabalho cai por terra. Se Renato gosta de lembrar que retirou o Vasco da lanterna do Campeonato Brasileiro, hoje a realidade voltou a bater à porta: o time segue brigando contra o rebaixamento, estacionado à beira do Z-4 e em alerta máximo para a sequência da temporada.
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