Segunda-Feira, 08 de June de 2026

Postado às 15h15 | 08 Jun 2026 | REDAÇÃO Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após o registro de duas mortes suspeitas

Segundo o Ministério da Saúde, até agora, foram aplicadas 500 mil doses e, nesse universo de pacientes, registradas 42 casos de reações severas possivelmente ligadas à vacina. Entre eles, duas mortes, que seguem como suspeitas, segundo o governo

Crédito da foto: Reprodução Vacina contra a Dengue, do Butantan

O Ministério da Saúde anunciou que vai suspender a imunização contra a dengue com a vacina do Butantan a partir desta segunda-feira (8). De acordo com o governo federal, a medida foi adotada após duas mortes suspeitas registradas.

O anúncio foi feito às 14h41 do horário de Brasília em uma coletiva de imprensa com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o diretor do instituto Butantan.

Segundo o Ministério da Saúde, até agora, foram aplicadas 500 mil doses e, nesse universo de pacientes, registradas 42 casos de reações severas possivelmente ligadas à vacina. Entre eles, duas mortes, que seguem como suspeitas. (Veja abaixo os sintomas identificados)

"Nós tivemos três casos graves, desses dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência", disse o ministro da saúde, Alexandre Padilha.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização começou no início deste ano com foco nos profissionais de saúde.

E o que acontece agora? Estados e municípios vão suspender a aplicação, enquanto os casos de eventos graves e mortes são investigados. O governo informou que vai acionar os estados para reforçar a busca por possíveis efeitos adversos.

E quem já tomou a vacina? Quem recebeu doses nos últimos 21 dias deve fazer um acompanhamento e estar atendo a reações como febre, dor abdominal, vômitos, entre outros.

A pasta reforçou que a medida é temporária e de segurança, que todas as mortes são suspeitas e que há confiança no estudo que levou à comprovação de eficácia e segurança da vacina.

"Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional, científica do Instituto Butantan, de fazer essa investigação, de aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, que foi feito hoje de manhã cedo, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade", disse o ministro Padilha.

O Butantan foi procurado, mas não retornou até a publicação desta reportagem.

Durante a coletiva, o Ministério da Saúde informou que os efeitos graves registrados na farmacovigilância não tinham aparecido na pesquisa feita pelo instituto.

A pesquisa analisou a aplicação em 16 mil pessoas e, a partir dessa análise, teve a eficácia e segurança comprovada. Os voluntários que receberam foram acompanhados por cinco anos. O estudo teve repercussão internacional e foi publicado pela revista Nature.

O que foi visto:

Durante a apresentação, foram divulgados dados de monitoramento de segurança da vacina contra a dengue referentes ao período de janeiro até 30 de maio de 2026. Segundo o balanço, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.

Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Esses episódios corresponderam a 0,008% do total de pessoas vacinadas e foram classificados como eventos muito raros, embora não previstos nos estudos clínicos nem descritos na bula. Desses 42 casos, três foram considerados graves.

O ministério da saúde divulgou o quadro de saúde os três casos graves:

O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Segundo o governo federal, ela evoluiu para um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em UTI, mas se recuperou.

Já os casos de óbitos são:

1 - Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e a paciente morreu.

2 - O terceiro caso envolve um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.

 

Rastreamento pelo país

De acordo com o Ministério da Saúde, a pasta vai ter reuniões com as cidades para uma busca ativa. Ou seja, as cidades vão ser orientadas a analisar os casos locais para entender se há uma possível relação com a vacina e fazer a notificação.

Além disso, a orientação é de que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem observar sintomas e serem acompanhadas pela secretaria de saúde local.

Devem ser observados:

Febre

Dor abdominal intensa e contínua

Vômitos persistentes

Tontura

Sangramentos

Sonolência intensa

Irritabilidade

Sinais de desidratação

Piora do estado geral

Fonte: g1

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